Pular para o conteúdo

10 de outubro de 2026

Política

TSE dá 48 horas para Meta explicar tratamento a Lula e Flávio

Ministro pediu dados sobre moderação, anúncios e métricas após ação da campanha de Lula; empresa contestou as acusações.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • TSE deu 48 horas para a Meta explicar o tratamento às campanhas.
  • A empresa deverá apresentar dados de moderação, anúncios e métricas.
  • A Meta negou as acusações; a decisão sobre a liminar virá após novas manifestações.

O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 48 horas neste sábado (10) para a Meta explicar como tratou conteúdos das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A determinação ocorre após a coligação de Lula acusar a plataforma de restringir seletivamente publicações e favorecer o adversário. A empresa contestou as alegações.

O que o TSE pediu

Bellizze determinou que a Meta preserve registros de moderação, anúncios e métricas relacionados ao caso. A empresa também deverá detalhar medidas aplicadas desde 16 de agosto aos perfis oficiais da candidatura e de aliados, incluindo eventuais reduções de alcance, rótulos, bloqueios ou remoções.

O ministro pediu explicações sobre possíveis alterações na contagem de visualizações de vídeos publicados em 7 de outubro e sobre a desabilitação da conta de anúncios da campanha de Lula em 23 de setembro. A plataforma ainda deverá informar se identificou uma rede automatizada apontada na ação e quais providências tomou.

Outro ponto da ordem é a descrição técnica das regras usadas para excluir perfis de candidatos dos sistemas de recomendação. A Meta deverá esclarecer se aplicou o mesmo tratamento às duas candidaturas que disputam o segundo turno.

Alegações e resposta da empresa

A coligação Brasil Pronto pra Mais afirma que a Meta teria restringido a entrega de publicações de Lula e de perfis de seu campo político. A ação também menciona uma rede de 255 perfis no Instagram, supostamente operados com inteligência artificial, que teria somado 58 milhões de visualizações em um mês e promovido ataques ao presidente, ao PT e à primeira-dama Janja da Silva.

A petição cita levantamentos do projeto VigIA, da Agência Lupa, segundo os quais 61 de 64 conteúdos sintéticos considerados vedados, identificados no início de outubro, continuavam disponíveis em 7 de outubro. A campanha também questiona métricas de vídeos e relata que a conta de anúncios ficou desabilitada. As afirmações fazem parte da representação e ainda serão analisadas pelo tribunal.

Em nota, a Meta classificou as alegações como falsas e afirmou que elas não têm respaldo nos fatos. A empresa declarou que muitos dos problemas técnicos citados não atingiram exclusivamente o Brasil ou contas específicas e disse cumprir as normas eleitorais e buscar isonomia no uso das plataformas.

Bellizze avaliou que as provas iniciais apresentadas pela coligação são, em grande parte, indiretas e determinou uma instrução técnica antes de decidir sobre o pedido liminar. Agência Lupa e Instituto Democracia em Xeque também foram oficiados para apresentar, em 48 horas, as metodologias e os materiais usados nos levantamentos citados.

Depois da resposta da Meta, a coligação e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão prazos sucessivos de 24 horas cada para se manifestar. Só então o processo retornará ao relator para análise da liminar. As informações técnicas enviadas pela empresa ficarão sob sigilo.

Temas

Linha do tempo

  1. Campanha de Lula acusa Meta de interferir nas eleições
  2. TSE dá 48 horas para Meta explicar tratamento a Lula e Flávio (esta matéria)

Compartilhe

Leia também