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17 de outubro de 2026

Política

Meta: governo pede investigação da ANPD e ação do MPF

Ministério da Justiça aponta possíveis falhas na moderação e pede apuração antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Governo recomenda ação judicial do MPF contra a Meta, com proposta de multa diária de R$ 500 mil.
  • Ministério da Justiça pede à ANPD que investigue possíveis violações do Marco Civil.
  • Pedido inclui auditoria dos sistemas e avaliação de medidas antes do segundo turno.

O governo recomendou que o Ministério Público Federal (MPF) acione a Justiça contra a Meta por falta de transparência na moderação de conteúdo durante a campanha eleitoral. Em paralelo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu que a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) investigue se a empresa descumpriu o Marco Civil da Internet e encaminhou informações ao MPF.

A recomendação de ação judicial prevê multa diária de R$ 500 mil caso a Meta descumpra uma eventual decisão. O pedido à ANPD foi motivado por relatos de bloqueios e restrições de conteúdo sem explicação aos usuários sobre qual regra teria sido violada.

Relatos apontam restrições e cortes de alcance

Uma nota técnica do Ministério da Justiça reúne relatos enviados por organizações da sociedade civil. A CTRL+Z contabilizou 1.121 registros entre 25 de setembro e 13 de outubro, relacionados a supressão de alcance e restrições de funcionalidades. O Observatório de Olho na Censura documenta casos desde janeiro de 2026.

Técnicos da pasta apontaram seis tipos de falhas nos relatos: decisões sem justificativa ou possibilidade de recurso; análise de conteúdo sem considerar o contexto; remoções após denúncias em massa; redução de alcance sem aviso; aprovação de anúncios pagos do exterior com deepfakes e desinformação; e respostas consideradas insuficientes às autoridades. Os apontamentos são relatos reunidos pelo órgão, e não uma conclusão sobre a responsabilidade da empresa.

O Ministério da Justiça avalia que os casos podem representar descumprimento de deveres previstos no Marco Civil da Internet, em vigor desde julho. A norma prevê comunicação e fundamentação das decisões de moderação, possibilidade de contestação pelo usuário e análise do contexto antes da retirada de conteúdo, além de medidas contra o uso abusivo de notificações.

Pedido inclui auditoria e possível medida preventiva

A pasta pediu que a ANPD solicite à Meta informações sobre regras e procedimentos de moderação, relatórios de transparência, registros dos casos relatados, critérios para redução de alcance e mecanismos contra denúncias coordenadas. Também solicitou dados sobre a verificação de anunciantes e uma auditoria dos sistemas automatizados de moderação, classificação e distribuição de conteúdo.

Diante da proximidade do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, o Ministério da Justiça sugeriu que a agência avalie uma medida cautelar ou preventiva. Entre as possibilidades estão preservar registros, revisar restrições aplicadas sem justificativa comunicada e exigir revisão humana e fundamentação em casos que envolvam veículos jornalísticos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, entidades estudantis e conteúdo político-eleitoral.

Temas

Linha do tempo

  1. Campanha de Lula acusa Meta de interferir nas eleições
  2. TSE dá 48 horas para Meta explicar tratamento a Lula e Flávio
  3. Meta atribui falhas em posts de Lula a problemas técnicos
  4. Meta nega viés político e atribui falha global a problema técnico
  5. Meta restringe geração de imagens de Lula e Flávio pela IA
  6. Campanha de Lula leva denúncia contra Meta à OEA e à ANPD
  7. TSE dá 24 horas para Meta apurar 255 perfis suspeitos
  8. Campanha de Lula apresenta oito relatos sobre a Meta a observadores
  9. TSE proíbe Meta de restringir distribuição de conteúdo eleitoral
  10. Meta nega interferência eleitoral e aponta falhas técnicas em casos
  11. Meta: governo pede investigação da ANPD e ação do MPF (esta matéria)

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