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29 de outubro de 2026

Economia

IFI projeta dívida pública de 124,4% do PIB em 2036

Estimativa considera juro real neutro de 6,1%; instituição aponta que resultado primário de 2,9% do PIB seria necessário para estabilizar a dívida.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • IFI prevê dívida bruta de 124,4% do PIB em 2036 com juro neutro de 6,1%.
  • Resultado primário de 2,9% do PIB seria necessário para estabilizar a dívida.
  • Despesas financeiras fora do resultado primário somaram saída líquida de R$ 180,5 bilhões em 2026.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, projeta que a dívida bruta do governo geral chegará a 124,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2036 caso o juro real neutro seja de 6,1% ao ano. No relatório divulgado em 29 de outubro de 2026, a instituição também apontou a necessidade de ajuste nas contas públicas e estimou que o resultado primário teria de alcançar 2,9% do PIB para estabilizar a dívida.

A projeção atual supera em 9,4 pontos percentuais a estimativa anterior, de 115% do PIB. Segundo a IFI, a diferença decorre da revisão do juro real neutro, que passou de 5% para 6,1% ao ano. Essa taxa, descontada a inflação, é aquela que não estimula nem freia a atividade econômica. Juros mais altos elevam o custo de financiamento da dívida no longo prazo.

Pressão dos juros sobre as contas

A revisão também alterou a estimativa para a despesa nominal com juros em 2036: de 8,4% para 10,3% do PIB, valor equivalente a mais de R$ 1,5 trilhão por ano. A probabilidade de a dívida bruta superar 90% do PIB até 2030 subiu de 78,9% para 81,6%.

O relatório estima ainda que, em 2027, as despesas com juros chegarão a 8,6% do PIB e pressionarão o resultado nominal.

A revisão do juro neutro foi baseada, segundo a instituição, em 25 medidas empíricas obtidas por sete abordagens metodológicas. Entre os elementos considerados estão pesquisas de mercado, títulos de renda fixa e modelos econométricos. Ao incluir o spread histórico de 0,7 ponto percentual dos títulos públicos em relação à Selic, o custo real de longo prazo da dívida chega a 6,3% ao ano.

Gastos fora do resultado primário

O documento também acompanha despesas financeiras com concessão de crédito e aportes a fundos, executadas fora do resultado primário. Esses gastos passaram de R$ 71,7 bilhões em 2023 para R$ 220,3 bilhões até outubro de 2026. Após descontar amortizações e juros que retornaram ao Tesouro, a saída líquida de caixa em 2026 foi de R$ 180,5 bilhões, ou 1,2% do PIB.

Entre os maiores valores estão R$ 35 bilhões para o Minha Casa, Minha Vida com recursos do Fundo Social, R$ 34 bilhões para o Fundo Clima e R$ 30 bilhões para o programa Move Motoristas. A IFI estima que o benefício creditício das operações contratadas em 2026, calculado a valor presente, fique entre R$ 10,2 bilhões e R$ 15,9 bilhões.

Temas

Linha do tempo

  1. Dario Durigan diz que governo buscará centro da meta fiscal
  2. Lula inicia novo mandato sob pressão por ajuste fiscal
  3. Governo Central tem superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro
  4. IFI projeta dívida pública de 124,4% do PIB em 2036 (esta matéria)

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