Soja: adido do USDA prevê safra de 184 milhões de toneladas
Projeção para 2026/27 indica produção recorde no Brasil e estoques finais 35% menores, apesar do aumento no processamento.
Em resumo
- Adido do USDA projeta safra brasileira de 184 milhões de toneladas em 2026/27.
- Estoques finais podem cair 35%, para 3,96 milhões de toneladas.
- Processamento deve subir 2,3%, enquanto embarques de soja em grão podem avançar 2,1%.
O Brasil poderá colher 184 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, enquanto os estoques finais devem recuar cerca de 35%, para 3,96 milhões de toneladas. O documento estima aumento de produção mesmo com menor ritmo de expansão da área plantada.
Área e produção
Se confirmada, a colheita será a terceira recorde consecutiva e ficará cerca de 2% acima das 180,5 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área foi revisada de 50 milhões para 49,7 milhões de hectares. O crescimento previsto, de 1,4%, é inferior à média anual de 4,2% dos cinco anos anteriores.
O relatório aponta juros elevados e custos maiores como fatores que limitam a expansão. O avanço da área deve se concentrar principalmente no Matopiba. A produtividade média projetada é de 3,70 toneladas por hectare.
A estimativa do adido é inferior à previsão oficial do USDA, de 186 milhões de toneladas. No mesmo material, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aparece com projeção de 181,6 milhões, enquanto a Pro Farmer estima 182 milhões de toneladas.
Processamento e exportações
O processamento de soja no país deve alcançar 65 milhões de toneladas, alta de 2,3%. A projeção considera maior demanda de óleo para biodiesel, em cenário de mistura B16, além da procura externa por derivados. A produção de óleo está estimada em 13,5 milhões de toneladas, das quais 7,7 milhões seriam destinadas ao uso industrial. As exportações do produto podem cair 15%, para 1,7 milhão de toneladas, com mais oferta direcionada ao mercado interno.
Os embarques de farelo são projetados em 27,5 milhões de toneladas, crescimento de 5,8%. Para a soja em grão, a previsão é de 117,5 milhões, alta de 2,1%.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços citados no relatório indicam que as exportações brasileiras de soja para a China caíram 3,6% entre janeiro e setembro. Em setembro, foram embarcadas 5,3 milhões de toneladas, ante 6,8 milhões no mesmo mês do ano anterior.
Preços no mercado interno
Na semana de 12 a 16 de outubro, a soja disponível em Mato Grosso foi cotada a R$ 136,65 por saca; em Paranaguá, a referência ficou em R$ 154,44. O efeito dependerá do volume efetivamente colhido e da confirmação da demanda projetada.