Sorgo deve avançar na safrinha com exportações de 1,8 milhão de
AgRural prevê embarques entre setembro e outubro de 2026; Conab estima produção de 7,35 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Em resumo
- AgRural prevê embarques de 1,8 milhão de toneladas em setembro e outubro de 2026.
- Conab estima produção de 7,35 milhões de toneladas na safra 2025/26.
- Novos mercados e rotas podem ampliar o espaço do sorgo na safrinha.
O sorgo deve ampliar sua presença na safrinha brasileira, com exportações estimadas em 1,8 milhão de toneladas entre setembro e outubro de 2026 e produção projetada em 7,35 milhões de toneladas na safra 2025/26. A China aparece como principal destino dos embarques, segundo estimativa da consultoria AgRural, em um cenário de aumento da oferta e abertura de novas rotas comerciais.
Produção e área plantada em expansão
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção nacional de sorgo cresça 20,4% em relação à temporada anterior. A área cultivada deve alcançar 2,17 milhões de hectares, avanço de 32,9%. Em sua projeção para o ciclo 2026/27, a companhia prevê colheita de 8,03 milhões de toneladas, alta de 9% sobre a safra anterior.
A série histórica da Conab, porém, apresenta outro número para 2025/26: 7,37 milhões de toneladas. A estimativa de produção divulgada para o mesmo ciclo é de 7,35 milhões. Os dados são projeções de instituições diferentes e não coincidem.
O sorgo é tradicionalmente destinado à fabricação de ração no mercado interno. Com novos compradores e canais de escoamento, as vendas externas podem ampliar as alternativas de comercialização para os produtores. A cultura também ocupou áreas em que o milho de segunda safra não pôde ser semeado dentro da janela adequada.
Exportações e disputa por área
A StoneX avalia que o custo elevado de produção do milho e a oferta mais restrita de sorgo favorecem o plantio do cereal em 2026/27. O analista de inteligência de mercado da consultoria, Raphael Bulascoschi, afirmou que a demanda interna, incluindo o uso em plantas de etanol, e o consumo global impulsionam a cultura. Segundo ele, a expansão pode aumentar a disputa por área com o milho.
As negociações de exportação ganharam força em 2025, sobretudo pelo Porto de Imbituba, em Santa Catarina. Neste ano, o movimento também passou a envolver Santos, Paranaguá e terminais do Nordeste. A VLI iniciou o transporte ferroviário do grão em três corredores logísticos e realizou embarques para a China e a África. A companhia prevê movimentar mais de 800 mil toneladas até o fim de 2026, usando a Ferrovia Centro-Atlântica e o tramo norte da Ferrovia Norte-Sul.