Pular para o conteúdo

29 de outubro de 2026

Política

MPF e TSE cobram explicações da Meta sobre eleição

MPF pede revisão humana de bloqueios; TSE dá 24 horas para Meta e X detalharem distribuição de conteúdos políticos e anúncios eleitorais.

Publicado em 3 min de leitura

Em resumo

  • MPF pediu revisão humana e transparência nos bloqueios da Meta.
  • TSE deu 24 horas para Meta e X explicarem a distribuição de conteúdos políticos.
  • Meta nega favorecimento e diz que as falhas afetaram diferentes contas e anunciantes.

O Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cobraram, em medidas distintas, explicações da Meta sobre a moderação de conteúdos e a distribuição de material político na reta final das eleições de 2026. O MPF pediu revisão humana e transparência nos bloqueios; o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a Meta e o X apresentem esclarecimentos técnicos em 24 horas.

Cobrança do MPF sobre bloqueios

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, órgão do MPF, informou que a Meta restringiu automaticamente 206.910 conteúdos entre 1º e 5 de outubro, no primeiro turno, com base em critérios de silêncio eleitoral e identificação de inteligência artificial. O órgão considerou insuficientes as justificativas da empresa e, em 21 de outubro, recomendou medidas para reduzir restrições indevidas e preservar a liberdade de expressão.

Entre as providências solicitadas estão revisão humana de bloqueios ligados a denúncias em massa ou a classificações de infrações graves, recuperação de publicações e contas quando houver erro e explicações individualizadas sobre a duração e os motivos das restrições. O MPF também pediu um canal gratuito de contestação, com análise humana, e auditoria independente dos algoritmos de moderação.

A Meta tem 48 horas para informar se seguirá as recomendações e quais medidas adotará no segundo turno. Também deverá entregar um relatório conclusivo em até 30 dias. O MPF ajuizou ainda ação civil pública na Justiça Federal de Porto Alegre para impedir bloqueios considerados arbitrários. O pedido prevê decisões não tomadas exclusivamente por algoritmos e recursos avaliados por equipes humanas especializadas. A ação estabelece multa diária de R$ 500 mil por conta em caso de descumprimento de determinação judicial.

Ordem do TSE envolve Meta e X

Em decisão de 22 de outubro, Cueva deu 24 horas para as duas plataformas explicarem aspectos técnicos de inteligência artificial, distribuição de conteúdos políticos e anúncios eleitorais. A determinação ocorreu em ação da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a candidatura de Flávio Bolsonaro. A coligação acusa as empresas de ampliar o alcance de publicações favoráveis a Flávio e restringir conteúdos ligados a Lula. Também questiona ferramentas de IA que, segundo os autores, teriam gerado material eleitoral para Flávio e recusado pedidos semelhantes relacionados a Lula.

O corregedor fixou multa diária de R$ 500 mil para cada empresa por descumprimento injustificado. A abertura da investigação, porém, não comprova as acusações. A Meta nega interferência no processo eleitoral ou favorecimento de candidatos e afirma que as falhas apontadas tiveram alcance amplo, afetando diferentes contas e anunciantes. A apuração do TSE também examina denúncias sobre o Grok, sistema de inteligência artificial do X.

A Meta informou que oculta temporariamente no Brasil conteúdos com sinais técnicos associados à inteligência artificial para cumprir a regra eleitoral. A empresa disse que manterá essa restrição até as 23h59 de 26 de outubro, mas não esclareceu se todos os bloqueios passam por revisão humana.

Temas

Linha do tempo

  1. Flávio Bolsonaro: Meta remove vídeo de MC Cabelinho por regra de IA
  2. MPF e TSE cobram explicações da Meta sobre eleição (esta matéria)
  3. Exército do Lula: Meta, Google e X não apontam irregularidades
  4. TSE impõe restrições a Nikolas e Marçal até o segundo turno
  5. TSE exige relatórios da Meta e do X a cada seis horas

Compartilhe

Leia também

Sua privacidade

Usamos apenas o armazenamento essencial do seu navegador (preferências de tema, fonte e matérias salvas). Com sua permissão, exibimos anúncios do Google, que podem usar cookies. Política de privacidade.

Escolha o que permitir