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31 de outubro de 2026

Economia

Tesouro Direto perde até 17% após reeleição de Lula

Taxas dos títulos públicos dispararam na semana após o segundo turno; Ibovespa caiu mais de 18% e investidores reavaliaram riscos fiscais.

Imagem ilustrativa: Painel de cotações financeiras e títulos públicos em uma tela de mercado
Imagem ilustrativa.
Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Tesouro IPCA+ 2050 perdeu 17,19% na semana após o segundo turno.
  • Taxas dos títulos públicos superaram os níveis anteriores à eleição.
  • Ibovespa caiu mais de 18% em cinco pregões consecutivos.

Os títulos do Tesouro Direto perderam até 17,19% na semana encerrada em 30 de outubro, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o Ibovespa recuou mais de 18%. A alta das taxas dos papéis começou na segunda-feira, 26, primeiro pregão depois do segundo turno, em meio à revisão das expectativas dos investidores sobre a política econômica e as contas públicas.

Taxas sobem e títulos longos recuam

O Tesouro IPCA+ 2050 registrou a maior desvalorização entre nove títulos prefixados e atrelados à inflação analisados no período. A taxa de remuneração passou de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,28% ao ano. Nos títulos prefixados, as taxas avançaram de 2,20 a 2,47 pontos percentuais; o Prefixado 2032, por exemplo, subiu de 12,89% para 15,36%.

Com a mudança, as taxas superaram os níveis registrados antes da votação de 4 de outubro. Na manhã de 2 de outubro, o Prefixado 2032 pagava 14,15% ao ano e o IPCA+ 2050, IPCA + 7,06%. No fechamento de 30 de outubro, os papéis prefixados pagavam entre 14,96% e 15,36%, enquanto os atrelados à inflação ofereciam de IPCA + 7,28% a IPCA + 7,89%.

A queda no preço afeta quem já possuía os títulos e decide vendê-los antes do vencimento. Quem mantém o papel até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra. Como preço e taxa se movem em sentidos opostos, os títulos com vencimentos mais distantes tendem a sofrer maior oscilação de preço quando as taxas mudam.

Tesouro suspendeu operações em dia de volatilidade

A segunda-feira concentrou a maior parte do ajuste. O Tesouro Direto suspendeu as negociações em diferentes momentos, e o Prefixado 2032 chegou a pagar 15,78% na abertura, maior taxa da série iniciada em fevereiro de 2025. O Tesouro Nacional cancelou leilões de NTN-B, LFT e títulos prefixados previstos para aquela semana e realizou recompras que somaram cerca de R$ 31,6 bilhões na segunda e na terça-feira.

A reação também atingiu a bolsa. O Ibovespa terminou a semana aos 167.922 pontos, após cinco pregões consecutivos de queda. Especialistas apontaram que a baixa refletiu a desmontagem de posições formadas depois do primeiro turno, quando investidores apostavam em uma mudança na condução fiscal. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, disse que o recuo representou a reversão dessa expectativa.

A preocupação com as contas públicas permanece no centro das avaliações.

Temas

Linha do tempo

  1. Goldman Sachs vê margem de vitória como fator para o mercado
  2. Ibovespa cai 13,88% após reeleição de Lula e apaga ganhos
  3. Ibovespa cai 3,08% e acumula recuo de 17% na semana
  4. Ibovespa tem 5ª queda seguida com temor fiscal e pressão externa
  5. Ibovespa cai 18,12% na semana e dólar sobe até 9,15%
  6. Tesouro Direto perde até 17% após reeleição de Lula (esta matéria)

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