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31 de outubro de 2026

Mundo

El Salvador envia mais de 2 mil militares ao Haiti

Operação ocorre fora de uma missão da ONU, após o sequestro de quatro soldados salvadorenhos; governo haitiano saudou o envio.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • El Salvador enviou mais de 2 mil militares ao Haiti nesta semana.
  • A ação ocorre fora de uma missão apoiada pela ONU.
  • Especialistas alertam para riscos de coordenação e aumento da violência.

El Salvador enviou mais de 2 mil militares ao Haiti nesta semana, em uma operação de grande porte fora do escopo de uma missão apoiada pela ONU.

Operação e reação dos governos

O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, afirmou em publicação na rede social X que a ação não é contra a população haitiana nem representa uma invasão. Na mesma mensagem, ameaçou “dar uma lição às gangues” e indicou que pretende levar ao Haiti a estratégia usada em El Salvador contra grupos armados ilegais. Bukele argumentou que seu país passou por uma situação semelhante e conseguiu superá-la.

O primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aimé, saudou o envio das tropas em comunicado divulgado na quarta-feira. O governo afirmou que pretende trabalhar com parceiros para restaurar a segurança e a estabilidade no país.

Mais forças internacionais no Haiti

Com a chegada dos salvadorenhos, o Haiti passa a contar com duas forças internacionais atuando contra gangues, além de contratados militares privados estrangeiros equipados com drones que operam ao lado da Polícia Nacional Haitiana. A força apoiada pela ONU, chamada Força de Supressão de Gangues, havia passado um ano tentando alcançar um contingente semelhante, mas é vista por especialistas como lenta e limitada por regras rígidas de atuação.

A mobilização é uma das maiores operações militares bilaterais já realizadas na ilha, segundo especialistas, e a maior operação externa de El Salvador desde a Guerra do Futebol contra Honduras, em 1969, de acordo com Jake Johnston, pesquisador do Center for Economic Policy Research.

Alertas sobre riscos

Romain Le Cour, diretor do Observatório do Haiti da Global Initiative Against Transnational Organized Crime, alertou que a iniciativa pode representar uma forma de intervenção mais direta e menos limitada por regras multilaterais. Jake Johnston avaliou que a presença de forças potencialmente concorrentes cria um problema de coordenação e pode aumentar mortes e destruição sem enfrentar as causas mais amplas da violência.

O Haiti registra níveis elevados de violência de gangues há pelo menos cinco anos. O país teve mais de 5 mil mortes neste ano, segundo os números citados por especialistas no contexto da operação.

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