Voo 402 da TAM completa 30 anos com 99 mortos em São Paulo
Fokker 100 caiu segundos após decolar de Congonhas, em 31 de outubro de 1996; acidente impulsionou mudanças na gestão de riscos da aviação.
Em resumo
- O voo 402 caiu em São Paulo em 31 de outubro de 1996.
- O Cenipa apontou problemas no reversor do motor direito.
- A Abrapavaa foi criada em 1997 para apoiar famílias e defender direitos.
O acidente com o voo 402 da TAM completa 30 anos neste sábado, 31 de outubro. Em 1996, o Fokker 100 caiu segundos depois de decolar do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, com destino ao Rio de Janeiro.
O que apontou a investigação
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) relacionou o desastre a problemas no sistema do reversor de empuxo do motor direito, dispositivo usado para auxiliar a desaceleração durante o pouso. Segundo a investigação, o reversor abriu durante a decolagem, sem que a tripulação identificasse a situação.
O sistema de aceleração automática apresentou falha ainda na pista e foi desligado. O Cenipa apontou que isso não exigia interromper a decolagem, pois os pilotos podiam controlar manualmente a potência. Já no ar, houve dificuldade para avançar uma das alavancas de potência. A investigação considerou que essa dificuldade antecedeu a perda de desempenho e registrou que a aeronave permaneceu no ar por cerca de 24 segundos antes de atingir prédios e casas no bairro do Jabaquara.
O relatório também apontou que não havia alertas claros no painel para indicar que o reversor estava aberto. A tripulação não havia recebido treinamento prévio em simulador nem contava com procedimentos de manual para lidar com a abertura inadvertida do dispositivo durante a decolagem, segundo a apuração do Cenipa.
Segurança e apoio às famílias
Três décadas depois, indicadores da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) e da Organização da Aviação Civil Internacional (Icao) mostram uma queda expressiva na taxa global de acidentes fatais por milhão de partidas, apesar de o tráfego aéreo ter mais que dobrado no período.
Sandra Assali, presidente da Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), perdeu o marido, José Rahal Abu Assali, no acidente. A entidade foi fundada em maio de 1997 para apoiar familiares, defender seus direitos, preservar a memória das vítimas e contribuir para evitar novas tragédias. José, médico cardiologista de 45 anos, viajava ao Rio para participar de um congresso e deixou dois filhos.