Ibovespa cai 3,08% e acumula recuo de 17% na semana
Bolsa teve a terceira sessão consecutiva de baixa após a eleição; incertezas fiscais e possível tributação de títulos estiveram no radar.
Em resumo
- Ibovespa caiu 3,08% e chegou a 170.297,16 pontos.
- O índice acumulava baixa de cerca de 17% na semana.
- Investidores acompanharam incertezas fiscais e a decisão do Fed.
O Ibovespa chegou a cair 3,08% nesta quarta-feira (28), aos 170.297,16 pontos, e acumulava perda de cerca de 17% na semana, na terceira sessão consecutiva de baixa após a eleição presidencial. A queda ocorreu em meio a preocupações com as contas públicas e à repercussão de notícias sobre uma possível cobrança de IOF sobre títulos hoje isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Na abertura, o índice recuava cerca de 1%, aos 173,9 mil pontos, e os juros futuros tinham comportamento misto. Por volta das 11h40, o Ibovespa atingiu a mínima intradiária, com perda superior a 5 mil pontos.
Incertezas fiscais no radar
Investidores também repercutiram a possibilidade de o governo estudar a incidência de IOF sobre letras de crédito imobiliário (LCI), letras de crédito do agronegócio (LCA), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) e debêntures incentivadas. Esses papéis não têm cobrança de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Fernando Saad, estrategista global da Avenue, apontou como fator de pressão declarações do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. Na terça-feira (27), Guimarães afirmou que um ajuste fiscal não é prioridade do governo neste ano. Ele mencionou como pautas a PEC da Segurança Pública, a medida provisória sobre apostas e a PEC da tarifa zero no transporte público.
Saad afirmou que investidores aguardam medidas que sinalizem compromisso com o equilíbrio das contas públicas. “Existe a expectativa de que algum ajuste seja apresentado nos próximos meses”, disse. O estrategista acrescentou que o mercado pode estar esperando medidas que o governo já sinalizou não serem prioridade neste primeiro momento.
Câmbio e agenda externa
O dólar à vista, que recuava para R$ 5,32 no início do dia, passou a subir e era cotado a R$ 5,3791, alta de 0,53%, por volta das 12h30. A movimentação acompanhava a alta da moeda no exterior e as incertezas fiscais, enquanto investidores aguardavam a decisão de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
A decisão do Fed estava entre os eventos previstos para as 48 horas seguintes, junto a anúncios de outros bancos centrais e à divulgação de balanços corporativos no Brasil e no exterior. No mercado brasileiro, os investidores também acompanhavam sinais sobre a composição da equipe econômica do próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
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