Correios recebem garantia federal para empréstimo de R$ 7 bilhões
Despacho do Ministério da Fazenda prevê cobertura do Tesouro caso a estatal não pague o consórcio de bancos; operação integra plano de reestruturação até 2027.
Em resumo
- Governo garantiu empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios.
- Tesouro cobre as parcelas se a estatal não pagar os bancos.
- A empresa executa plano de reestruturação previsto até 2027.
O governo federal concedeu garantia de R$ 7 bilhões para um empréstimo de bancos aos Correios, como parte do processo de reestruturação da estatal previsto para o período de 2025 a 2027. A medida foi formalizada em despacho do ministro da Fazenda, Dario Durigan, publicado no Diário Oficial da União após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro.
A garantia prevê que o Tesouro Nacional pague as parcelas aos bancos caso os Correios não cumpram o compromisso. O consórcio credor é formado por ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e JP Morgan. O empréstimo de R$ 7 bilhões já havia sido confirmado pela estatal nas demonstrações financeiras do primeiro semestre, divulgadas no fim de agosto.
Reestruturação da estatal
Em setembro, os Correios haviam informado que a operação deveria ser concluída naquele mês, mas a formalização ocorreu depois do segundo turno. A empresa também confirmou um compromisso firmado com o governo federal para receber aporte de R$ 6 bilhões até o fim de 2027. A garantia do empréstimo e o aporte são medidas distintas mencionadas no plano de reestruturação.
A estatal enfrenta resultados financeiros negativos. No segundo trimestre de 2026, registrou prejuízo inferior ao dos dois trimestres anteriores: o primeiro trimestre deste ano e o quarto trimestre de 2025. O primeiro trimestre de 2026 havia sido marcado por prejuízo recorde da empresa. Os resultados mais recentes apontaram um movimento de recuperação, embora a companhia ainda esteja dentro de um processo de reequilíbrio financeiro.
O desempenho dos Correios contribuiu para o resultado negativo das estatais federais. Segundo dados do Banco Central, o déficit dessas empresas somou R$ 6,51 bilhões nos oito primeiros meses de 2026. O valor foi recorde para esse intervalo e ficou próximo do maior déficit anual já registrado: R$ 6,73 bilhões em 2024.
Medidas para ampliar receitas
Em maio, o governo autorizou os Correios a vender seguros e títulos de capitalização e a atuar no mercado de telefonia. A proposta é que a estatal estabeleça convênios com instituições financeiras para oferecer esses serviços. O Ministério da Gestão informou que a empresa executa um plano de reequilíbrio financeiro e de reestruturação.
Com a garantia federal, os bancos têm cobertura do Tesouro para o pagamento das parcelas se a estatal deixar de honrar o empréstimo. A operação de crédito, no valor de R$ 7 bilhões, integra o processo de reestruturação previsto até 2027.