Meta é alvo de protesto em São Paulo por neutralidade eleitoral
Manifestantes cobraram transparência e isonomia nas plataformas; organizadores não conseguiram entregar documento à empresa.
Em resumo
- Manifestantes cobraram neutralidade da Meta nas eleições.
- Organizadores não conseguiram protocolar o documento na empresa.
- O TSE deu 24 horas para a Meta comprovar isonomia.
Centenas de manifestantes protestaram na segunda-feira (19) em frente à sede da Meta, em São Paulo, cobrando neutralidade da empresa nas eleições presidenciais de 2026. Organizado por entidades da sociedade civil e movimentos sociais, o ato contestou supostas restrições a conteúdos ligados a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pediu mais transparência nas decisões da plataforma.
Com o slogan “Meta, não se meta”, os participantes apontaram suposta censura, redução seletiva do alcance de publicações e falta de equilíbrio na distribuição de conteúdos políticos. Os organizadores também questionaram anúncios eleitorais pagos em moeda estrangeira e o uso de inteligência artificial na produção e recomendação de conteúdo.
Documento não foi protocolado
As entidades tentaram entregar à empresa um manifesto ou notificação com pedidos de transparência, canais para contestação de decisões e preservação de dados sobre moderação e distribuição de conteúdo. Segundo os organizadores, a entrega não foi aceita. Os responsáveis disseram que encaminhariam o texto digitalmente.
Entre as demandas descritas pelos movimentos estão a publicação de dados sobre contas suspensas, conteúdos removidos e anúncios aprovados ou recusados, além da interrupção de reduções de alcance que não sejam comunicadas aos usuários. O documento também pede auditoria independente dos algoritmos e comunicação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre limites à distribuição de conteúdo político.
O ato foi articulado por organizações como CTRL+Z, Código Não Binário e Artigo 19, além de outros grupos da sociedade civil. A programadora Veronica Gimenez, da ONG TravaHacker, afirmou que a cobrança inclui mecanismos para monitorar as decisões da plataforma e relatórios sobre as medidas adotadas. O ativista Thiago Torres Santos, conhecido como Chavoso da USP, alegou que a Meta não cumpriu uma liminar que, segundo ele, o favorecia.
Meta nega favorecimento
A manifestação ocorreu enquanto a empresa responde a questionamentos no TSE. Em 15 de outubro, a Corte determinou que a Meta não interferisse na distribuição de conteúdo político-eleitoral das campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL) durante o segundo turno, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. Na segunda-feira, o ministro Marco Aurélio Bellizze deu 24 horas para a companhia comprovar medidas de isonomia.
A Meta nega favorecer candidatos ou grupos políticos e afirma que seus sistemas não distribuem conteúdo com base em ideologia. A empresa também atribuiu dificuldades na geração e no acesso a conteúdos ao volume de regras eleitorais e ao tempo necessário para checagem e liberação. Em posicionamento anterior, reconheceu falhas técnicas pontuais, mas negou interferência nas eleições.