Universidade da Carolina do Norte fecha acordo com governo Trump
Acordo prevê medidas contra o antissemitismo, encerra 18 investigações federais e mantém acesso a recursos públicos.
Em resumo
- O acordo prevê o encerramento de 18 investigações federais.
- A universidade adotará treinamento e novas regras contra discriminação.
- A instituição manterá acesso a recursos federais e não pagará multa.
A Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill fechou, na segunda-feira (19), um acordo com o governo de Donald Trump para combater o antissemitismo e outras formas de discriminação no campus. Com o entendimento, os departamentos federais de Justiça e Educação encerrarão 18 investigações sobre a instituição, que continuará elegível a recursos do governo, inclusive para pesquisas e outros projetos.
As apurações abrangiam denúncias de discriminação contra estudantes judeus e israelenses e suspeitas de favorecimento racial nos processos de admissão. Segundo o acordo, as investigações envolviam episódios registrados desde 2019.
Medidas previstas no acordo
A universidade deverá oferecer treinamento obrigatório sobre antissemitismo a estudantes, professores e funcionários.
O documento prevê ainda a proibição de máscaras usadas para ocultar a identidade durante manifestações no campus. A restrição terá exceções por necessidades médicas e religiosas. A instituição poderá reforçar a presença de policiais diante de ameaças à segurança de estudantes judeus e israelenses.
Outra obrigação é não usar critérios raciais para favorecer candidatos, conceder bolsas de estudo ou selecionar participantes de programas acadêmicos. A medida está alinhada à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de 2023, que restringiu o uso de raça nas admissões universitárias.
A universidade deverá enviar relatórios trimestrais ao governo sobre as denúncias recebidas e as providências adotadas. A supervisão ficará a cargo de Elizabeth Hall, dirigente da área de conformidade da instituição. As obrigações permanecerão em vigor até 31 de dezembro de 2028.
Universidade não pagará multa
A procuradora-geral adjunta Harmeet Dhillon, responsável pela Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça, afirmou que políticas que toleram o antissemitismo ou favorecem grupos raciais contrariam a igualdade perante a lei. Ela elogiou a cooperação da universidade e defendeu que outras instituições adotem medidas semelhantes.
Kimberly Richey, autoridade de direitos civis do Departamento de Educação, disse que o acordo representa um avanço no combate ao antissemitismo nas universidades. Segundo ela, instituições que recebem recursos públicos devem cumprir as leis federais e garantir ambientes seguros aos estudantes.
Em nota, o reitor Lee Roberts afirmou que o acordo permite encerrar as disputas com o governo sem comprometer as atividades acadêmicas. A universidade não precisou admitir irregularidades nem pagar multa ou indenização. Roberts declarou que a solução protege a missão da instituição e reafirma os direitos civis de sua comunidade.