Fiemg diz que fim da escala 6×1 exige rever programas sociais
Flávio Roscoe prevê pressão sobre preços e oferta de serviços após redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
Em resumo
- Roscoe defende mudanças nos programas sociais para facilitar o trabalho de beneficiários.
- O presidente da Fiemg prevê redução da oferta e pressão sobre preços.
- A entidade pretende orientar empresas e defender a jornada 12×36.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, afirmou que o fim da escala 6×1 exigirá mudanças nos programas sociais para facilitar a entrada de beneficiários no mercado de trabalho. Ele também previu que a redução da jornada poderá diminuir a oferta de produtos e serviços e afetar o poder de compra da população. A emenda constitucional promulgada pelo Congresso reduz o limite semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, e garante duas folgas remuneradas.
Roscoe avalia que as regras atuais dos auxílios podem afastar parte das pessoas do emprego formal. Segundo ele, trabalhadores podem evitar uma vaga para não perder imediatamente os benefícios. O presidente da Fiemg defendeu uma adaptação na sistemática dos programas para que seus beneficiários possam trabalhar sem deixar de receber o auxílio de forma abrupta.
Previsão de impacto sobre preços
Na avaliação de Roscoe, a combinação de menos horas trabalhadas com a falta de profissionais pode reduzir a disponibilidade de bens e serviços. Ele afirmou que essa situação poderia pressionar os preços e diminuir o poder de compra. “A população toda vai ficar mais pobre”, declarou.
O presidente da entidade prevê que os efeitos iniciais sejam mais perceptíveis no setor de serviços, onde, segundo ele, a mão de obra representa uma parcela maior dos custos e a concorrência externa é menor. Restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos que dependem de muitos trabalhadores poderiam repassar despesas aos clientes ou elevar preços para limitar a demanda, diante de uma oferta menor.
A redução da jornada semanal foi aprovada pelo Senado na semana anterior à entrevista concedida por Roscoe. O dirigente afirmou que a mudança pode agravar a escassez de mão de obra e, sem ajustes nos programas de assistência, levar à falta de alguns produtos e serviços.
Adaptação das empresas
A Fiemg pretende orientar empresas na elaboração de novas escalas e na redução de riscos jurídicos durante a adaptação às regras. A entidade também deve defender o uso de mais tecnologia para diminuir a dependência de trabalhadores.
Outro ponto que a federação pretende defender é a preservação da jornada 12×36, usada em hospitais, serviços públicos e indústrias que operam continuamente. Roscoe considera curto o período de transição e diz que ajustes na legislação e em acordos coletivos serão necessários para manter plantões e turnos contínuos.