Recifes de coral: 96% estão sob risco crítico, alerta IUCN
Relatório avalia recifes de águas rasas em mais de 80 países e aponta possível desaparecimento até 2075 se as emissões não caírem.
Em resumo
- IUCN classifica 96% dos recifes de águas rasas como criticamente ameaçados.
- O aquecimento dos oceanos é apontado como principal ameaça.
- A redução das emissões pode melhorar as projeções para os recifes.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou 96% dos recifes de coral de águas rasas do mundo como “criticamente ameaçados” e aponta a possibilidade de desaparecimento desses ecossistemas até 2075, caso as emissões de gases de efeito estufa não diminuam. O relatório, divulgado no dia 22, é a primeira avaliação de recifes na Lista Vermelha de Ecossistemas da organização.
Aquecimento é a principal ameaça
O estudo reúne décadas de observações e dados climáticos, com a participação de mais de 250 especialistas. A avaliação abrange recifes situados em mais de 80 países. Segundo a IUCN, cerca de 24% dos recifes já estão em estado crítico.
O estresse térmico ligado às mudanças climáticas é apontado como a principal ameaça.
Esse processo ocorre quando, sob estresse causado pelo calor, os corais expulsam as zooxantelas, algas que vivem em seus tecidos. Elas oferecem energia aos corais e também são responsáveis por sua coloração. Sem as algas, os corais perdem a cor e ficam sem uma fonte importante de energia; se as condições adversas persistirem, podem morrer de fome.
Risco de colapso e possibilidade de melhora
A redução dos corais também pode dificultar a reprodução. Como muitos vivem em colônias e dependem da proximidade de outros indivíduos da mesma espécie, a distância entre os poucos sobreviventes pode impedir que se reproduzam, segundo a explicação apresentada no relatório.
Até o momento, apenas um ecossistema de recifes de águas rasas foi considerado colapsado pela IUCN: o localizado perto da parte ocidental das Ilhas Galápagos. Mais de 95% dos corais desse local foram perdidos após o El Niño de 1982, que provocou aquecimento intenso no Pacífico oriental, além de outros problemas.
Em quatro regiões, os dados disponíveis não foram suficientes para determinar a situação dos recifes.
A IUCN ressalta que o cenário pode mudar se as emissões de gases de efeito estufa diminuírem. De acordo com as projeções citadas no relatório, sem os efeitos das mudanças climáticas, apenas 24% dos recifes estariam em perigo crítico.