Corais de recifes: 44% das espécies avaliadas estão ameaçadas
Estudo global publicado na Nature aponta aquecimento dos oceanos como principal pressão e destaca riscos no Atlântico e no Nordeste do Brasil.
Em resumo
- 44% das espécies avaliadas com dados suficientes estão ameaçadas.
- O aquecimento dos oceanos é o principal fator associado ao risco.
- O Atlântico Sudoeste, especialmente o Nordeste do Brasil, tem risco elevado.
Quase metade das espécies de corais que constroem recifes está ameaçada de extinção, de acordo com uma avaliação global publicada na revista Nature. O levantamento analisou 892 espécies e classificou 340 — 44% das 774 com dados suficientes — em categorias de risco. O aquecimento dos oceanos provocado pela mudança climática aparece como o principal fator associado à piora do quadro.
Aquecimento e branqueamento
Entre as espécies classificadas como ameaçadas, 33 estão criticamente ameaçadas, 251 são consideradas ameaçadas e 56, vulneráveis.
O aumento da temperatura da água favorece episódios de branqueamento. Neles, os corais expulsam as algas microscópicas que vivem em seus tecidos e fornecem parte importante de sua energia. Se o calor persiste, o animal pode morrer. A mudança climática foi determinante para a classificação de mais de 90% das espécies incluídas nos grupos de maior risco, segundo os pesquisadores.
A avaliação reuniu dados sobre perda de cobertura de corais, projeções de branqueamento e características que podem tornar algumas espécies mais vulneráveis.
Risco no Atlântico e no Brasil
O estudo aponta que metade das espécies avaliadas no Atlântico está ameaçada, proporção superior aos 43% registrados no Indo-Pacífico. No Atlântico Sudoeste, especialmente no Nordeste brasileiro, o risco é considerado particularmente alto. A região tem espécies com distribuição restrita e o maior nível de endemismo do Atlântico: alguns corais só existem naquele local.
Os pesquisadores não calcularam uma nova porcentagem de espécies ameaçadas com base nesses acontecimentos.