Estudo associa emissões de carbono na Amazônia à ação humana
Pesquisa liderada por Luciana Gatti analisou medições de 2010 a 2024 e relacionou desmatamento e queimadas a emissões mais altas.
Em resumo
- Estudo relacionou emissões maiores a períodos de mais atividade humana na Amazônia.
- As médias anuais variaram de 408 milhões a 1,80 bilhão de toneladas de CO₂ entre os grupos.
- Análise climática de 46 anos identificou menos chuva e temperaturas mais altas.
Um estudo liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), associou as maiores emissões de carbono na Amazônia a períodos de maior atividade humana, incluindo desmatamento e queimadas.
Os pesquisadores separaram os anos em três grupos, considerando condições climáticas, intensidade das atividades humanas e emissões medidas. No primeiro, formado por 2011 a 2014 e por 2017 e 2018, os anos foram mais úmidos e registraram baixa atividade humana, como desmatamento, queimadas e degradação. A média anual de carbono emitido nesse conjunto foi de 408 milhões de toneladas de CO₂.
Emissões e condições climáticas
O segundo grupo reuniu 2019 a 2022, período de baixo estresse climático, mas de intensificação das atividades humanas, sobretudo desmatamento e degradação. A média anual foi de 1,58 bilhão de toneladas de CO₂. Nesse conjunto, a média chegou a 1,80 bilhão de toneladas anuais.
Segundo o estudo, os grupos 2 e 3 não diferem significativamente no volume de emissões. Os dados indicam que o estresse climático, isoladamente, não é decisivo para o aumento das emissões, mas as secas podem ampliar a quantidade de carbono liberada pelas atividades humanas.
Em uma análise de 46 anos sobre clima e atividade humana, os pesquisadores encontraram redução de 8% na precipitação média anual e queda de 20% no volume máximo de chuvas durante a estação seca, de agosto a novembro. A temperatura média anual subiu 1,13 °C no período; na estação seca, o aumento foi de 1,81 °C.
O estudo também apontou que a energia solar recebida e devolvida à atmosfera não variou ao longo dos anos analisados. Os pesquisadores identificaram as atividades humanas diretas como os principais riscos para a Amazônia e defenderam a redução drástica dos incêndios para evitar um ponto de inflexão. A pesquisa foi assinada por 33 cientistas e é a quarta publicação na Nature liderada por Gatti.