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18 de outubro de 2026

Ciência

Caatinga respondeu por 38% das remoções de gases no Brasil em 2022

Levantamento da UFCG estima que o bioma retirou 410 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera e aponta potencial para o mercado de carbono.

Caatinga em imagem de arquivo
Imagem de arquivo.
Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • A Caatinga respondeu por 38% das remoções brasileiras em 2022.
  • O bioma retirou 410 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera.
  • Pesquisadores apontam falta de metodologias adaptadas para projetos de crédito de carbono.

A Caatinga respondeu por 38% das remoções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, segundo levantamento do Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Com base no inventário Clima TRACE, os pesquisadores estimaram que o bioma retirou 410 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera naquele ano.

O volume superou o registrado para a Mata Atlântica, com 320 milhões de toneladas, e para o Cerrado, com 240 milhões. O inventário acompanha dados internacionais de emissões e remoções de gases, além de outras variáveis ambientais.

Como a Caatinga absorve carbono

Segundo os pesquisadores do OCA, características naturais do bioma favorecem a remoção de gás carbônico. Durante a fotossíntese, cerca de 60% do gás absorvido é transformado em biomassa, que fica em folhas, galhos, troncos e raízes. Na Amazônia, a proporção é de aproximadamente 30%, conforme a explicação dos pesquisadores, porque uma parcela maior do carbono retorna à atmosfera pela respiração do ecossistema.

A alternância entre seca e chuva também influencia esse processo. De acordo com o OCA, depois de meses secos, poucos dias de precipitação podem reativar a fotossíntese e fazer com que a Caatinga retire da atmosfera mais CO₂ do que libera. Os pesquisadores afirmam que ecossistemas semiáridos contribuem para as variações anuais do ciclo global do carbono.

Mercado de carbono

O levantamento destaca que esse potencial pode ter relevância para o mercado de carbono, regulamentado no Brasil a partir de 2024. Entre as iniciativas citadas pelos pesquisadores estão a proteção de florestas, a recuperação de áreas degradadas e práticas agrícolas que armazenam carbono no solo.

Apesar da possibilidade de gerar créditos, a Caatinga ainda tem poucos projetos desse tipo, segundo o OCA. Os pesquisadores atribuem essa limitação à falta de metodologias de medição adaptadas ao bioma: muitas foram desenvolvidas para ambientes úmidos. O observatório trabalha em contribuições para a consulta pública e defende também mecanismos que facilitem o acesso de comunidades e pequenos produtores à certificação.

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