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31 de outubro de 2026

Ciência

Amazônia emitiu mais CO₂ do que absorveu entre 2010 e 2024

Estudo do Inpe publicado na Nature aponta que queimadas foram a principal fonte das emissões e identifica mudanças em chuvas e temperaturas.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • A Amazônia emitiu cerca de 1 bilhão de toneladas de CO₂ a mais do que absorveu por ano entre 2010 e 2024.
  • Queimadas liberaram aproximadamente 1,47 bilhão de toneladas de CO₂ ao ano, segundo o estudo.
  • A pesquisa registrou redução das chuvas e aumento das temperaturas na região ao longo das décadas.

A Amazônia emitiu, em média, cerca de 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) a mais do que absorveu por ano entre 2010 e 2024, segundo pesquisa liderada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e publicada na revista Nature em 21 de outubro de 2026. As queimadas foram a principal fonte de emissões, com aproximadamente 1,47 bilhão de toneladas anuais, enquanto a absorção da floresta ficou em cerca de 300 milhões de toneladas por ano.

O estudo analisou 15 anos de medições atmosféricas de carbono e relacionou o desequilíbrio às atividades humanas. Os pesquisadores apontam que a redução drástica das queimadas, o desmatamento zero e a restauração florestal são medidas necessárias para evitar que a floresta alcance um limite a partir do qual perca a capacidade de se manter e se recuperar.

Queimadas e ação humana

A pesquisa comparou anos com diferentes condições climáticas e níveis de intervenção humana. O primeiro grupo reuniu anos chuvosos, de 2011 a 2014 e em 2017 e 2018, caracterizados por baixa intensidade de atividades humanas. O segundo incluiu o período de 2019 a 2022, com baixo estresse climático, mas aumento de 97% no desmatamento e de 25% nas queimadas.

Luciana Vanni Gatti, coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Inpe e principal autora do trabalho, afirmou que a ação humana está no centro do problema e defendeu políticas públicas que valorizem a floresta em pé.

Mudanças no clima da região

Ao analisar dados de 46 anos, os cientistas identificaram redução de 8% na precipitação anual e de 20% no período mais seco, entre agosto e outubro. No mesmo intervalo analisado, a temperatura média anual subiu 1,13 °C; na estação seca, o aumento foi de 1,81 °C. Gatti afirmou que menos vegetação pode reduzir as chuvas e elevar as temperaturas, condições que favorecem novas queimadas e ampliam a degradação da floresta remanescente.

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