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31 de outubro de 2026

Ciência

Amazônia enfrenta risco de savanização com calor e secas severas

Aquecimento de 2 °C a 3 °C e estiagens mais longas ameaçam a floresta; Carlos Nobre alerta para possível ponto de não retorno até 2040.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • A Amazônia registra aquecimento de 2 °C a 3 °C, acima da média global.
  • Mais de 70% da vegetação pode sofrer savanização se o cenário se consolidar.
  • Carlos Nobre alerta para risco de ponto de não retorno por volta de 2040.

Cientistas alertam que o aquecimento acelerado, combinado com secas severas e desmatamento, eleva o risco de savanização de áreas da Amazônia. O bioma já registra aumento de temperatura de 2 °C a 3 °C, acima da média global, e pode perder a capacidade de se regenerar caso ultrapasse seu limite crítico de sobrevivência.

Se o cenário se consolidar, mais de 70% da vegetação poderá passar por um processo irreversível de savanização nas próximas décadas. A transformação afetaria o regime de chuvas na América do Sul e em outras partes do planeta.

Risco de ponto de não retorno

Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia e membro da Academia Brasileira de Ciências, alerta que a degradação contínua pode levar a floresta a um ponto em que deixa de se recuperar sozinha e passa a se degradar. Segundo ele, a transformação poderia liberar mais de 200 bilhões de toneladas de gás carbônico, principal gás associado ao aquecimento global.

A redução da vegetação também compromete o transporte de umidade para o centro-sul do Brasil. Nobre afirma que estudos apontam efeitos atmosféricos que podem alcançar outros continentes. Ele citou a possibilidade de a diminuição das chuvas amazônicas contribuir para condições mais secas em partes da Califórnia, no oeste dos Estados Unidos.

Calor e falta de água afetam as árvores

O estresse hídrico prejudica especialmente espécies com raízes superficiais, que não conseguem buscar água em camadas profundas do solo. Árvores de raízes profundas têm maior possibilidade de alcançar água no lençol freático durante a estiagem. Quando falta umidade, bolhas de ar podem se formar nos vasos que conduzem água pelo tronco, interrompendo a circulação e levando a árvore à morte.

Fernando Elias, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, explica que a mortalidade altera o papel da floresta no ciclo do carbono. Árvores vivas absorvem carbono; quando morrem e se decompõem, a floresta pode deixar de atuar como sumidouro e se tornar fonte de carbono.

A morte de árvores também abre clareiras e acumula matéria seca no solo, aumentando a vulnerabilidade a incêndios. Elias aponta o fogo como principal vetor de degradação e afirma que temperaturas acima dos limites suportados por espécies podem provocar mortalidade e extinções locais. Entre as medidas defendidas por especialistas estão zerar o desmatamento, combater incêndios e ampliar a restauração florestal.

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