França mobiliza 70 mil agentes para manifestações previstas
Autoridades esperam cerca de 150 atos em 31 de outubro e temem confrontos, saques e depredações após episódios de violência neste mês.
Em resumo
- França mobilizou cerca de 70 mil agentes para acompanhar os atos previstos.
- Autoridades esperam cerca de 150 manifestações e temem novos confrontos e saques.
- O Conselho de Estado alterou o percurso da principal manifestação em Paris.
A França mobilizou cerca de 70 mil agentes de segurança para acompanhar as manifestações previstas neste sábado, 31 de outubro, em meio a temores de confrontos, saques e depredações. As autoridades esperam cerca de 150 atos em todo o país, motivados por reivindicações sobre o custo de vida e as condições de ensino.
Risco de novos confrontos
A preocupação aumentou após os protestos de 17 de outubro, que terminaram com confrontos entre manifestantes e policiais, saques a estabelecimentos comerciais e incêndios em prédios públicos. Em 24 de outubro, os atos ocorreram de forma mais tranquila. Segundo o Ministério do Interior, reuniram 410 mil pessoas em todo o território francês, incluindo 110 mil em Paris.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou como “muito elevado” o risco de distúrbios para este sábado. Desde a noite de sexta-feira, as autoridades fizeram operações preventivas em estradas, estações ferroviárias e áreas urbanas para localizar objetos que poderiam ser usados em atos violentos. Em Mulhouse, no leste do país, foram apreendidos 175 artefatos pirotécnicos.
A mobilização reúne sindicatos, estudantes do ensino médio e universitários e integrantes do movimento dos coletes amarelos. As reivindicações incluem críticas ao custo de vida e à desigualdade social, além de demandas por melhores condições de estudo. Após os confrontos e a atuação policial em atos anteriores, parte dos participantes passou a defender também o direito de protestar e as liberdades civis.
Mudança no percurso em Paris
O Conselho de Estado alterou durante a madrugada o trajeto da principal manifestação prevista para Paris. A decisão atendeu a um recurso do governo e foi justificada pelo tribunal pelo risco de novos distúrbios graves. A central sindical CGT criticou a mudança e afirmou que ela pode restringir o direito de manifestação e prejudicar a organização dos participantes.
A coincidência dos atos com o Halloween também levou o Ministério do Interior a alertar para o possível uso de máscaras e fantasias para ocultar rostos. A legislação francesa proíbe esconder o rosto em manifestações quando há distúrbios ou motivos para acreditar que possam ocorrer. O governo também advertiu contra o porte de armas e de objetos que possam ser usados em agressões, mesmo quando associados a fantasias. Segundo Nuñez, mensagens em redes sociais convocaram encontros noturnos e usaram expressões como “revolução” e “noite de escuridão”.
Comerciantes protegeram vitrines e fachadas diante do receio de novos danos; as autoridades mantiveram as operações preventivas para o dia dos protestos.