Perfis de IA apoiam Lula e Flávio; Conselho cobra Meta
Levantamento identificou 37 contas no Instagram e TikTok; Conselho de Supervisão apontou problemas recorrentes na moderação eleitoral da empresa.
Em resumo
- Mapeamento identificou 37 perfis de IA associados a Lula e Flávio Bolsonaro.
- Algumas contas direcionam seguidores para canais de conteúdo adulto pago.
- Conselho da Meta apontou falhas eleitorais e pediu mais transparência.
Perfis com mulheres criadas por inteligência artificial publicam conteúdos de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o Conselho de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes na moderação eleitoral da empresa. Os dois casos vieram a público em 20 de outubro de 2026 e envolvem a atuação de plataformas digitais durante a disputa presidencial no Brasil.
Perfis associam política a conteúdo adulto
Um mapeamento identificou 37 contas no Instagram e no TikTok que divulgam imagens e vídeos de mulheres geradas por IA ligados aos candidatos. As páginas reuniam cerca de 7 milhões de seguidores. Embora predominem referências a Flávio Bolsonaro, também há perfis que publicam apoio a Lula.
As personagens aparecem em montagens ao lado de candidatos ou em cenas de manifestações. Em determinados perfis, as publicações políticas ajudam a atrair público, que depois é direcionado a canais no Telegram ou a plataformas de conteúdo adulto. Há páginas que anunciam imagens e vídeos sexuais pagos.
A maioria das contas identificadas não informava que as imagens eram produzidas por inteligência artificial, embora esse tipo de aviso seja previsto pelas diretrizes do Instagram e do TikTok. Os responsáveis pelas páginas não foram identificados. Também foram encontrados indícios de ligação entre algumas contas, que se seguiam e encaminhavam usuários para um mesmo canal no Telegram.
Ela também relaciona o modelo à exploração da imagem feminina e à reprodução de padrões de beleza, e defende maior fiscalização pelas plataformas.
Conselho cobra transparência da Meta
Em comunicado divulgado na mesma data, o Conselho de Supervisão da Meta manifestou preocupação com problemas repetidos na aplicação das regras eleitorais e pediu mais transparência. O órgão avalia decisões de moderação da empresa, que controla Facebook e Instagram.
No caso brasileiro, o conselho apontou restrições técnicas que afetaram contas de anúncios da campanha de Lula. A situação levantou questionamentos sobre a moderação de publicidade política. A campanha também apresentou testes em que a Meta AI teria recusado pedidos para criar imagens do petista, mas produzido peças favoráveis ao candidato do PL. A Meta afirmou ter reforçado filtros para impedir a geração de imagens dos dois candidatos.
A empresa negou favorecer qualquer candidatura e atribuiu os problemas a falhas técnicas. No mesmo dia, informou ao Tribunal Superior Eleitoral que os conteúdos relativos às duas candidaturas eram tratados de forma igual e não discriminatória. A resposta ocorreu após determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze para que a Meta comprovasse, em até 24 horas, o cumprimento da decisão sobre isonomia entre as campanhas.
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