Itamaraty condena declarações de Milei sobre eleição brasileira
Chancelaria classificou as falas como ingerência externa e afirmou que o sistema de voto eletrônico é seguro; segundo turno está marcado para domingo (25).
Em resumo
- Itamaraty classificou as falas de Milei como ingerência externa.
- A chancelaria afirmou que o sistema eletrônico de votação é seguro.
- O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcado para domingo (25).
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou nesta terça-feira (20) declarações do presidente argentino, Javier Milei, sobre a eleição brasileira e afirmou que elas representam uma tentativa de interferência externa. A manifestação ocorreu cinco dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25), entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Em nota, o Itamaraty classificou as declarações como uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. A pasta também disse que Milei reproduziu alegações falsas sobre as urnas e considerou a postura do presidente argentino antidemocrática e incompatível com a conduta esperada de um chefe de Estado de um país vizinho e amigo.
Publicação de Milei
Mais cedo, Milei republicou no X uma postagem crítica a Lula e comentou que esperava que a “última artimanha suja da campanha” do petista não envolvesse roubar a eleição. Em outra versão reproduzida na nota do Itamaraty, o presidente argentino escreveu que esperava que o “último truque sujo” não incluísse “roubar a eleição”.
A chancelaria afirmou que o sistema brasileiro de votação eletrônica é comprovadamente seguro e nunca registrou irregularidades. Segundo o órgão, observadores eleitorais internacionais confirmaram a lisura do sistema durante o primeiro turno. O ministério acrescentou que a escolha do futuro do Brasil cabe exclusivamente aos eleitores brasileiros, sem ingerência de outros países.
As declarações de Milei foram feitas a poucos dias do segundo turno. O presidente argentino já havia manifestado apoio a Flávio Bolsonaro, que disputa a votação contra Lula, de acordo com as informações divulgadas sobre o episódio.
Atrito entre os governos
O comunicado ocorre em meio a tensões nas relações entre Brasil e Argentina. O governo brasileiro rebaixou o nível das relações bilaterais em resposta a ataques verbais de Milei contra Lula. Como sinal de descontentamento, o embaixador brasileiro na Argentina foi chamado a Brasília para consultas, e o Itamaraty manteve a medida até que cessem as ofensas que considera inéditas e grosseiras.
Do lado argentino, o chanceler Pablo Quirno manifestou a expectativa de que uma transformação ideológica regional também alcance o Brasil. Não houve, desde então, avanços ou iniciativas de reaproximação entre os dois países, segundo o relato sobre o estado das relações diplomáticas.