Chuvas atrasam soja e ameaçam janela do milho safrinha no Paraná
Plantio chegou a 39% da área prevista em outubro; produtores relatam custos maiores e trigo com perda de qualidade comercial.
Em resumo
- A soja chegou a 39% da área prevista na primeira quinzena de outubro.
- Chuvas elevam custos e dificultam a colheita e a classificação do trigo.
- A semeadura do milho safrinha pode avançar para fevereiro e março.
O excesso de chuva no Paraná atrasou o plantio da soja, dificultou a colheita do trigo e pode empurrar a semeadura do milho safrinha para fevereiro e março. Na primeira quinzena de outubro, a soja havia alcançado 39% da área prevista no Estado, estimada em cerca de 5,7 milhões de hectares, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O cenário veio após um setembro com precipitações acima da média.
Plantio atrasado e custos maiores
No Noroeste do Estado, o produtor Mauro César Volponi dos Santos estimou atraso de cerca de 20 dias nos trabalhos. Até o momento do levantamento, aproximadamente 30% da área de soja de sua propriedade estava semeada. A conclusão, prevista para o fim de outubro, poderia avançar até novembro, conforme as condições climáticas. Em uma das semanas mais críticas, algumas áreas acumularam 250 milímetros de chuva, com erosão e solo encharcado.
A umidade dificulta a entrada de máquinas, prejudica a emergência das plantas e pode aumentar a pressão de doenças e plantas daninhas. Santos identificou a necessidade de reaplicar produtos para combater a buva em algumas áreas, com custo adicional estimado em R$ 200 por hectare afetado. A coordenadora do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, Ana Paula Kowalski, alertou que chuvas intensas também podem arrastar sementes e plantas recém-emergidas. Dependendo dos danos, pode ser necessário replantar.
No Vale do Ivaí, Marcelo Alberton relatou ter tido apenas seis dias favoráveis ao plantio desde o início de setembro. A redução da janela o levou a considerar cultivares de soja de ciclo curto, em vez de priorizar variedades de ciclo longo.
Trigo e calendário do milho
A demora para colher expõe o trigo à umidade por mais tempo e pode reduzir sua qualidade comercial. Produtores relatam queda no peso hectolítrico e no Falling Number, indicadores que influenciam a classificação e o preço do cereal. Grãos que não atendem aos padrões para panificação podem ser destinados a outros usos. A capacidade de secagem das cooperativas também tem sido insuficiente, provocando filas, fretes adicionais e máquinas paradas, segundo Alberton.
O atraso da soja pode reduzir a janela do milho safrinha.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que os impactos atingem a renda e o planejamento dos agricultores. A entidade defende o fortalecimento do seguro rural e políticas públicas de apoio diante de perdas climáticas.
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- Trigo: chuvas ameaçam qualidade da safra brasileira
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