Campanha de Flávio pede ao TSE dados sobre Exército do Lula
Petição questiona atuação do WhatsApp e pede informações sobre anúncios e possível impulsionamento coordenado em redes sociais.
Em resumo
- A campanha de Flávio pediu informações ao TSE sobre o Exército do Lula.
- A defesa aponta pesquisas coordenadas no Google e hashtags no X.
- O pedido inclui dados sobre anúncios e medidas das plataformas.
A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acionou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, na terça-feira (20), para pedir informações sobre o canal de WhatsApp Exército do Lula e a promoção de conteúdo político nas redes. A equipe quer explicações sobre a avaliação do WhatsApp de que não foram identificados sinais de comportamento coordenado no canal, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
Segundo a petição, integrantes do canal foram orientados a pesquisar no Google expressões negativas associadas a Flávio, entre elas “Bolsonaro mandou matar Lula”. A defesa também citou buscas por “Flávio miliciano”, “Flávio Ana Clara” e “Flávio Comando Vermelho”, além de hashtags que, segundo os advogados, seriam impulsionadas no X.
O que a campanha pede
A equipe de Flávio solicita que o TSE determine à Meta, responsável por WhatsApp, Facebook e Instagram, que informe quais medidas adotou em relação a um vídeo publicado por Janones e à sua disseminação. O pedido também abrange dados sobre perfis e grupos que reproduziram o conteúdo.
A defesa pede ainda que Google, X e Meta adotem e informem medidas para detectar e conter o que descreve como amplificação artificial coordenada de conteúdo eleitoral. Em relação a páginas favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a campanha solicita dados sobre anúncios: valores pagos, períodos de veiculação, gastos, impressões, alcance, frequência e cliques. Também pede informações sobre segmentação, distribuição do público e classificação dos anúncios como publicidade ligada a temas sociais, eleições ou política.
Os advogados afirmam que a estrutura do canal poderia mobilizar milhões de pessoas em pouco tempo e dizem haver risco de uso contra adversários e contra a Justiça Eleitoral. A defesa sustenta que a orientação para pesquisar termos em massa pode fazer com que algoritmos interpretem uma ação coordenada como interesse espontâneo dos usuários. Essas afirmações são argumentos apresentados pela campanha, não uma conclusão do TSE.
Histórico recente
O Exército do Lula ultrapassava 6 milhões de seguidores na terça-feira, segundo os relatos sobre o caso. A campanha de Flávio já havia acionado o presidente do TSE em 11 de outubro sobre o canal, em uma disputa de decisões entre Nunes Marques e o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Em 13 de outubro, Nunes Marques se reuniu com coordenadores das campanhas de Lula e de Flávio.
Depois da reunião, o TSE definiu novas regras para vincular canais de mensagens instantâneas às campanhas. A Corte decidiu que o apoio espontâneo a um candidato não vincula automaticamente o canal à campanha correspondente.