CoreWeave acumula US$ 52 bilhões em dívidas e preocupa Wall Street
Juros mais altos e dúvidas sobre a expansão de data centers alimentam o temor de que empresas de IA não gerem retorno para pagar seus empréstimos.
Em resumo
- A CoreWeave tinha cerca de US$ 52 bilhões em dívidas e obrigações de arrendamento no segundo trimestre.
- Juros mais altos e entraves à expansão de data centers preocupam investidores.
- Analistas veem riscos para empresas endividadas, mas não necessariamente para todo o setor de IA.
A CoreWeave acumulava cerca de US$ 52 bilhões em dívidas e obrigações de arrendamento no segundo trimestre de 2026, enquanto investidores em Wall Street avaliam se empresas de inteligência artificial conseguirão lucrar o suficiente para pagar os empréstimos usados na expansão. A alta dos juros e a incerteza sobre o ritmo de construção de data centers estão entre os fatores que ampliam a preocupação com o setor.
Dívida e custo dos empréstimos
A empresa, sediada em Nova Jersey, aluga capacidade computacional a companhias que desenvolvem tecnologia de IA. Esse segmento, conhecido como neocloud, atrai investidores interessados na expectativa de crescimento da demanda, mas a CoreWeave depende de dívidas para financiar sua expansão.
O valor de suas dívidas e obrigações de arrendamento era de aproximadamente US$ 30 bilhões no fim de 2025. Na semana anterior à publicação da reportagem, os juros de alguns títulos da companhia chegaram a 15%, patamar associado a dificuldades financeiras ou maior risco de inadimplência. As ações da CoreWeave caíram 30% no mês de outubro.
Gil Luria, chefe de pesquisa de tecnologia da D.A. Davidson, afirmou que a empresa é um exemplo de investimento especulativo financiado com dívida e disse ter dúvidas sobre o volume de empréstimos assumido sem um caminho claro para a lucratividade. Para ele, porém, uma eventual falência da companhia não significaria necessariamente o colapso de todo o ecossistema de IA.
Dúvidas sobre a expansão dos data centers
A incerteza também envolve a conclusão e o tamanho dos projetos de data centers. A reportagem aponta que a resistência pública a essas instalações cresce, e investidores avaliam se moratórias ou outros obstáculos poderiam afetar as previsões de expansão.
Outro sinal de cautela veio da Coreia do Sul. A empresa de data centers de IA Elice Group caiu 32% em sua estreia na bolsa do país, na terça-feira. O desempenho aumentou as dúvidas sobre avaliações e possíveis retornos no setor.