Desemprego no Chile chega a 9,6% em meio a ajuste fiscal
Taxa é a mais alta em mais de cinco anos; economia enfrenta retração, inflação e queda na mineração durante o governo de José Antonio Kast.
Em resumo
- Desemprego chileno chegou a 9,6%, maior nível em mais de cinco anos.
- Combustíveis mais caros pressionaram famílias, pequenas empresas e a inflação.
- Banco Central reduziu a previsão de crescimento do Chile para 2026.
O desemprego no Chile chegou a 9,6%, o maior nível em mais de cinco anos, em meio à desaceleração econômica e ao plano de austeridade fiscal do presidente José Antonio Kast. Indicadores divulgados no início de outubro também apontaram crescimento praticamente nulo da demanda interna e ausência de avanço dos investimentos produtivos, públicos e privados, no segundo trimestre de 2026.
Kast assumiu a Presidência em março com a promessa de reativar os investimentos e o emprego. O governo adotou medidas para reduzir os gastos e o déficit fiscal, mas o país enfrenta uma retração da atividade. O Produto Interno Bruto caiu 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. O primeiro semestre registrou a maior queda da economia chilena desde a pandemia de covid-19.
Combustíveis pressionam famílias e empresas
A alta dos combustíveis agravou o cenário. Depois do início da guerra no Irã, o preço do petróleo disparou, e o governo decidiu não intervir para conter a alta no mercado chileno. A decisão, conhecida no país como “bencinazo”, provocou manifestações e indignação entre cidadãos.
Como o Chile importa quase todo o petróleo que consome, o aumento chegou às famílias e pequenas empresas e, em efeito cascata, pressionou os preços de outros setores. A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,1% em julho, impulsionada em grande parte pelos combustíveis.
O economista Nicolás Saldías, da Economist Intelligence Unit, afirmou que o governo considerou excessivo o custo fiscal de compensar a alta e avaliou que isso poderia enfraquecer os esforços para reduzir o déficit. Segundo ele, o custo político da decisão foi elevado. Joan Domene, da Oxford Economics, disse que a medida afetou a confiança dos consumidores.