Donald Trump declara apoio a Netanyahu antes da eleição em Israel
Presidente dos EUA endossou o premiê israelense em mensagem no Truth Social; votação nacional está marcada para 27 de outubro.
Em resumo
- Trump endossou a reeleição de Netanyahu antes da votação de 27 de outubro.
- Netanyahu agradeceu ao presidente americano em uma postagem no X.
- Pesquisas e analistas indicam que o efeito eleitoral do apoio é incerto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em 18 de outubro apoio à reeleição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na eleição nacional marcada para 27 de outubro. Em uma mensagem no Truth Social, Trump elogiou a atuação do premiê diante da oposição e o descreveu como um parceiro de Washington em tempos de guerra.
Trump afirmou que Netanyahu demonstrou força e coragem sob pressão e declarou apoio completo à campanha para que ele permaneça no cargo. Também atribuiu ao líder israelense participação nos ataques lançados pelos Estados Unidos contra o Irã em fevereiro. Na mensagem, o presidente americano disse que, caso Israel escolha outro líder, os EUA poderão ter de conduzir a operação contra o Irã por conta própria.
Netanyahu agradeceu publicamente a manifestação de apoio em uma postagem no X. “Juntos, vamos completar a missão!”, escreveu o primeiro-ministro.
Eleição será decidida por coalizões
A votação será a primeira em Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. O episódio abalou o país e foi seguido por conflitos envolvendo Israel em Gaza, no Líbano e no Irã. A disputa pode definir se Netanyahu seguirá no poder após um período de guerra ou se será substituído por adversários que prometem uma nova etapa política.
O partido de Netanyahu, o Likud, busca manter o controle do Parlamento. Entre os grupos que se opõem ao premiê estão o Yashar, associado ao ex-general Gadi Eisenkot, e o Beyachad, ligado a Naftali Bennett e Yair Lapid. Pesquisas citadas antes da eleição indicavam que nenhum candidato tinha um caminho claro para formar o governo. Em Israel, o primeiro-ministro é escolhido por meio de coalizões parlamentares, e não por votação popular direta.
Efeito do endosso é incerto
Uma pesquisa do Israel Democracy Institute apontou queda na proporção de eleitores judeus que consideravam a segurança de Israel uma preocupação central para Trump: o índice passou de 63% em novembro de 2024 para 41% em maio de 2026. Entre os árabes israelenses, a medida foi de 59% nas duas datas, embora tenha oscilado nos meses intermediários.
A analista de relações internacionais Fernanda Magnotta avaliou que o apoio pode fortalecer Netanyahu entre parcelas da direita e eleitores que valorizam a relação com Washington, mas dificilmente mudaria sozinho uma eleição marcada por questões internas, como segurança e formação de coalizões. A professora Karina Calandrin também apontou efeitos distintos entre grupos de eleitores. Segundo ela, adversários de Netanyahu, incluindo Bennett, Eisenkot e Lapid, teriam pedido ao círculo de Trump que ele permanecesse neutro.