França mobiliza 70 mil agentes para novos protestos em meio a pressão
Manifestações foram previstas para 24 de outubro; partidos europeus de direita cobram fronteiras mais rígidas e mais deportações após distúrbios no país.
Em resumo
- A França mobilizou 70 mil agentes para manifestações previstas em 24 de outubro.
- Partidos de direita europeus defenderam fronteiras mais rígidas e mais deportações.
- O governo francês rejeita uma ligação direta entre imigração e violência nos protestos.
A França mobilizou 70 mil policiais e agentes especiais para acompanhar novas manifestações previstas para sábado, 24 de outubro de 2026, após mais de um mês de protestos. Em paralelo, partidos de direita de países europeus passaram a cobrar regras migratórias mais rígidas, usando os distúrbios franceses como argumento para defender maior controle de fronteiras e deportações.
Reforço da segurança
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou o efetivo na sexta-feira (23). O número é cerca de 15% superior aos 60 mil agentes mobilizados na semana anterior. Segundo Nuñez, autoridades identificaram nas redes sociais convocações para atos violentos e saques. O plano inclui unidades especializadas, veículos blindados e equipamentos para dispersar multidões; o governo também pediu a plataformas digitais que reforçassem a vigilância durante o fim de semana.
Os atos ocorrem uma semana depois de manifestações contra o alto custo de vida. Estimativas divulgadas pela imprensa francesa apontaram mais de 500 mil participantes, e cerca de 1.800 pessoas foram presas no sábado, 17 de outubro. Em 22 de outubro, o presidente Emmanuel Macron recomendou que a população não participasse de manifestações nos dias seguintes e afirmou que apenas atos organizados por sindicatos seriam autorizados no sábado. Sete partidos de esquerda recorreram ao Conselho de Estado para contestar as declarações.
Em Lyon, autoridades proibiram manifestações em áreas centrais entre 10h e 23h, após mais de 150 lojas serem depredadas e algumas saqueadas. O escritório de turismo local também foi incendiado.
Pressão por mudanças migratórias
Lideranças conservadoras no Reino Unido, Alemanha, Espanha e Itália defenderam medidas mais duras após os episódios de violência. Marine Le Pen planeja propor um referendo para alterar as regras de cidadania na França e acabar com o direito de solo para filhos de estrangeiros. Nigel Farage cobra ações contra entradas irregulares pelo Canal da Mancha, enquanto o partido alemão AfD defende ampliar deportações e reforçar o controle das fronteiras terrestres. Entre outras propostas citadas estão analisar pedidos de asilo em embaixadas no exterior e restringir benefícios sociais a quem não tem nacionalidade francesa.
Esses políticos associam a imigração ilegal à insegurança e a dificuldades de integração. O governo de Macron rejeita uma ligação direta entre imigração e violência e atribui os atos a criminosos comuns e a militantes de extrema esquerda que, segundo o governo, se infiltraram nas manifestações.
A União Europeia começou a implementar o novo Pacto de Migração e Asilo, voltado a acelerar verificações de segurança nas fronteiras externas e facilitar o retorno de pessoas sem autorização para permanecer. No segundo trimestre de 2026, foram emitidas mais de 110 mil ordens de saída na Europa, mas cerca de um terço resultou em retornos efetivos, segundo dados oficiais.
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