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29 de outubro de 2026

Agro

Embrapa e Sabesp transformam lodo em fertilizante de liberação lenta

Tecnologia usa nanotecnologia para reaproveitar resíduos de estações de tratamento; testes em plantas mostraram ganhos de biomassa.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Embrapa e Sabesp criaram grânulos fertilizantes a partir de lodo de tratamento de água.
  • Testes com azevém e capim-piatã registraram ganhos de biomassa e absorção de nutrientes.
  • A equipe busca parceiros para desenvolver um projeto-piloto industrial.

A Embrapa e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) desenvolveram uma tecnologia que transforma lodo de estações de tratamento de água em fertilizante de liberação lenta. O processo busca neutralizar o alumínio potencialmente tóxico do resíduo e acrescentar nutrientes, como nitrogênio e potássio. Os pesquisadores agora procuram parceiros empresariais para levar a solução a um projeto-piloto industrial.

Como funciona o processo

O lodo de estações de tratamento de água costuma ter baixa quantidade de matéria orgânica e concentração elevada de sais de alumínio usados no tratamento. Segundo Caue Ribeiro, pesquisador da Embrapa Instrumentação, determinadas formas do metal podem prejudicar as raízes e dificultar a absorção de nutrientes, especialmente o fósforo.

Para tratar o material, a equipe desenvolveu um processo hidrotérmico, realizado sob temperatura e pressão controladas. A técnica reorganiza os componentes do lodo e forma cristais de sodalita, mineral da família das zeólitas que retém o alumínio em sua estrutura. Depois, o material é combinado com outras substâncias e transformado em grânulos enriquecidos com nitrogênio e potássio. A formulação permite que os nutrientes sejam liberados gradualmente no solo.

Resultados dos testes e destino do resíduo

Experimentos em laboratório e em casa de vegetação, conduzidos na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), avaliaram cultivos de azevém e capim-piatã. Os pesquisadores observaram maior absorção de nutrientes e aumento da produção de biomassa. No azevém, a eficiência agronômica dos tratamentos com sodalita granulada foi de duas a três vezes a do grupo de controle; no capim-piatã, também houve resultados favoráveis, mas com diferenças menores.

A pesquisadora Ana Rita Nogueira, da unidade, afirmou que a estrutura do fertilizante ajuda a reter nitrogênio e reduzir perdas.

A próxima etapa da tecnologia de fertilizante é buscar parceiros para avaliar a viabilidade da produção em escala industrial.

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