Malásia atrai investimentos bilionários em centros de dados de IA
Johor concentra 65 projetos e pode superar 10 gigawatts de demanda elétrica se todas as instalações planejadas forem concluídas.
Em resumo
- Johor reúne 65 projetos de centros de dados em diferentes etapas.
- Empresas americanas e chinesas investem na infraestrutura malaia de IA.
- O consumo elétrico atual em Johor supera 2 gigawatts.
Empresas americanas e chinesas estão investindo bilhões de dólares em centros de dados na Malásia, que se tornou um polo da expansão global da inteligência artificial. No estado de Johor, no sul do país, 65 projetos estão em operação, em construção ou em fases de aprovação, e a demanda por eletricidade poderá ultrapassar 10 gigawatts se todos forem concluídos, segundo a agência estadual Invest Johor.
A expansão ganhou força por volta de 2021, depois que Singapura suspendeu novos projetos de centros de dados em meio a restrições de energia. Empresas passaram então a procurar terrenos do outro lado da fronteira.
Empresas dos dois países no mesmo polo
Microsoft, Google e Oracle estão ampliando investimentos no país para se aproximar de clientes asiáticos. Ao mesmo tempo, companhias chinesas como ByteDance, Tencent e Alibaba usam a Malásia como base para processamento de dados. Em parques industriais de Johor, estruturas destinadas a empresas americanas e chinesas estão sendo construídas próximas umas das outras.
Os centros de dados podem abrigar chips avançados de inteligência artificial fabricados pela Nvidia. Embora os Estados Unidos tenham restringido a venda direta de alguns desses semicondutores à China, as regras geralmente não impedem que empresas chinesas acessem os chips em instalações localizadas fora do território chinês. Essa possibilidade levou autoridades americanas a acompanhar o papel do Sudeste Asiático no fornecimento de capacidade computacional a companhias chinesas.
Pressão sobre energia e recursos
As instalações em Johor já consomem mais de 2 gigawatts de eletricidade, quantidade suficiente para abastecer mais de um terço das residências da Malásia, conforme os dados apresentados no levantamento. Se todos os projetos planejados avançarem, a demanda poderá passar de 10 gigawatts. A expansão também provocou preocupações com o consumo de água e energia.