Copom: mercado espera pausa nos cortes e Selic mantida em 13,75%
Decisão será anunciada em 4 de novembro; opções negociadas na B3 indicam 68,8% de probabilidade de manutenção dos juros.
Em resumo
- Mercado espera manutenção da Selic em 13,75% na reunião de 4 de novembro.
- Opções negociadas na B3 indicam 68,8% de probabilidade de juros inalterados.
- Riscos fiscais, inflação e cenário externo influenciam as projeções.
O mercado financeiro chega à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira, 4 de novembro, esperando que o Banco Central interrompa o ciclo de cortes e mantenha a Selic em 13,75% ao ano. A mudança nas apostas ocorreu após o segundo turno das eleições e em meio à avaliação de riscos inflacionários no Brasil e no exterior.
Antes da votação, a probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual nos juros em novembro superava 70%. Depois do resultado, as opções de Copom negociadas na B3 passaram a indicar 68,8% de probabilidade implícita de manutenção. Esses contratos refletem os preços negociados pelos participantes e não constituem uma projeção oficial da bolsa.
Riscos de inflação e contas públicas
O Itaú Unibanco projeta a manutenção da Selic e avalia que o comitê deve apontar uma moderação gradual da atividade econômica, além de reconhecer maior distância entre as expectativas de inflação e a meta. A instituição também vê piora qualitativa nos dados do IPCA-15 de outubro e espera uma decisão unânime pela interrupção do ciclo de cortes.
O HSBC prevê que a taxa permaneça em 13,75% até março de 2027. O banco considera as contas públicas relevantes para as projeções e avalia que a falta de medidas claras para conter gastos antes das reuniões de novembro e dezembro aumenta a incerteza. Também cita a alta dos preços de energia e alimentos, os custos dos subsídios aos combustíveis e o possível efeito de uma semana de trabalho mais curta como fatores de risco para a inflação.
Nas projeções do HSBC, a Selic terminaria 2027 em 12,50%. O banco estima inflação de 5,1% em 2026 e 5% em 2027, além de crescimento do Produto Interno Bruto de 1,6% neste ano e 0,6% no próximo. A instituição também considera possível uma piora das expectativas de inflação de médio e longo prazo.