Inteligência artificial reacende debate sobre tecnologia e empregos
Economistas recorrem a mudanças do passado para avaliar efeitos da IA sobre o trabalho e discutir respostas para trabalhadores afetados.
Em resumo
- Economistas analisam mudanças tecnológicas do passado para entender a IA.
- A conjuntura econômica influenciou o impacto da automação sobre o emprego.
- As estimativas sobre os efeitos da IA variam amplamente.
Economistas estão revisitando episódios históricos de disrupção no trabalho para avaliar os possíveis efeitos da inteligência artificial sobre o emprego. A comparação busca compreender por que algumas mudanças tecnológicas abriram espaço para novas oportunidades, enquanto outras agravaram o desemprego e a instabilidade social — e que papel governos e condições econômicas tiveram nesses resultados.
Alertas de quase um século atrás
Em dezembro de 1931, economistas reunidos em Washington discutiram a substituição de operadoras de telefonia por sistemas automáticos, de músicos de cinema por filmes falados e de condutores de carroças por motoristas de caminhões.
Sumner H. Slichter, economista de Harvard, alertou naquele encontro que as mudanças ocorriam mais rapidamente do que antes. Ewan Clague, que mais tarde comandaria o Bureau of Labor Statistics, advertiu que transformações tecnológicas poderiam deixar simultaneamente desempregados diferentes fatores de produção. Clague também levantou a possibilidade de tributar máquinas e equipamentos para desacelerar seu desenvolvimento.
A experiência das telefonistas mostrou como o contexto econômico pode alterar o impacto da automação.
O efeito depende do momento econômico
Na Inglaterra, a mecanização agrícola teve outro desfecho. Proprietários adotaram máquinas de debulha durante as Guerras Napoleônicas para compensar a falta de trabalhadores.
Incerteza sobre os efeitos da IA
Os modelos econômicos atuais apontam para cenários muito diferentes: desde um impulso de produtividade semelhante ao da internet até uma transformação maior que a Revolução Industrial, mas concentrada em menos tempo. Quase 200 economistas alertaram para essa possibilidade em uma carta recente.
Entre as perguntas em debate estão se novos empregos surgirão a tempo de substituir os eliminados, como os ganhos serão distribuídos e se as estatísticas oficiais acompanharão as mudanças.