Flávio Bolsonaro condiciona abertura de sigilos a dados de Lula
Em petição ao TSE, senador autorizou acesso a informações bancárias, fiscais e telefônicas dos últimos 20 anos, mas estabeleceu condições.
Em resumo
- Flávio autorizou a abertura de seus sigilos por 20 anos, com condições.
- O senador pediu dados sobre gastos da Presidência e pessoas próximas a Lula.
- A petição solicita que o TSE intime o presidente a responder às exigências.
Flávio Bolsonaro (PL) condicionou a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à apresentação de informações sobre Lula, familiares do presidente e pessoas de seu entorno. Em petição encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (21), o senador autorizou o acesso aos próprios dados dos últimos 20 anos, mas pediu que Lula também divulgue documentos e registros específicos.
O que Flávio exige
Entre as condições apresentadas estão a abertura de dados do ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e de Janja. Flávio também pediu a divulgação das despesas do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, da agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025 e dos registros de visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada.
A lista inclui ainda informações sobre o uso de helicópteros da Presidência e despesas da residência oficial. O senador solicitou que a abertura alcance empresas dos filhos do presidente, especialmente as ligadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além de dados sobre relações do governo com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e pessoas investigadas no caso do INSS.
Na petição, Flávio pediu ao TSE que intime Lula a responder às condições. O documento afirma que o senador só entregará os próprios dados depois que as informações solicitadas forem apresentadas. Ele também declarou não se opor à divulgação das mensagens trocadas com Vorcaro e autorizou o acesso a informações de quatro empresas das quais é sócio ou administrador.
Resposta ao desafio de Lula
A iniciativa ocorreu após Lula propor, durante o debate presidencial da TV Band no domingo (18), que ambos abrissem seus sigilos. Na terça-feira (20), o presidente apresentou ao TSE uma autorização para a abertura dos próprios dados e afirmou que familiares também aceitariam a medida sob a mesma condição, segundo documentos protocolados no tribunal.
Em ato de campanha em Guarulhos (SP), Flávio disse que aceitaria abrir o sigilo telefônico se Marcola fizesse o mesmo. O senador afirmou que o ex-assessor atendia ligações destinadas ao presidente e mencionou a atuação dele em negócios envolvendo Lulinha. Essas afirmações foram feitas por Flávio durante o discurso; a petição, por sua vez, formalizou uma lista mais ampla de exigências.
A manifestação foi enviada ao ministro André Mendonça. O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.
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