Exportações aos EUA caem US$ 6,7 bilhões após tarifas
Estudo da CNM aponta retração de 16,2% entre agosto de 2025 e julho de 2026, com perdas em 1.135 municípios brasileiros.
Em resumo
- Vendas brasileiras aos EUA caíram US$ 6,7 bilhões em 12 meses.
- O estudo identificou perdas em 1.135 municípios.
- Cidades pequenas e a região Sul tiveram retrações proporcionais maiores.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram US$ 6,7 bilhões entre agosto de 2025 e julho de 2026, em comparação com os 12 meses anteriores, segundo estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM). A retração ocorreu após o início das tarifas norte-americanas e atingiu 1.135 municípios; em 271 deles, não houve embarques ao mercado dos EUA no período analisado.
A receita passou de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões, queda de 16,2%. A participação dos Estados Unidos nas vendas externas brasileiras diminuiu de 12,3% para 9,4%. Também houve redução de 17,9% no volume exportado: foram 33,6 milhões de toneladas, ante 40,9 milhões no intervalo anterior, o menor patamar desde 2021.
Perdas locais e produtos afetados
Dos 1.643 municípios que exportaram para os Estados Unidos em pelo menos um dos dois períodos comparados, 271 deixaram de vender ao país e outros 864 reduziram o valor exportado. As perdas municipais somadas superam a retração líquida nacional porque parte das cidades ampliou as vendas e compensou uma parcela das quedas. Ao todo, 366 municípios aumentaram as exportações, com incremento conjunto de cerca de US$ 3 bilhões; outros 144 começaram a exportar e somaram US$ 35 milhões.
Entre os setores com maiores retrações de receita estão petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e produtos da silvicultura. O volume de café enviado aos EUA caiu 43%. No suco de laranja, a quantidade exportada cresceu 13,6%, mas o preço médio recuou 33,7%. Entre os produtos destacados no levantamento, madeira de coníferas perfilada, semimanufaturados de ferro ou aço, açúcar de cana, sebo animal e portas, caixilhos e soleiras acumularam redução de aproximadamente US$ 1 bilhão em receitas.
A CNM ressalva que algumas cadeias inicialmente tarifadas foram incluídas posteriormente em listas de exceção. Por isso, o estudo considera que as mudanças regulatórias, os preços internacionais e os volumes comercializados também precisam ser levados em conta, sem atribuir toda a variação às tarifas.
Estados e municípios mais afetados
Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro concentraram cerca de 71% da redução nacional.