Lula e Flávio divergem sobre impostos e gasto público
Planos para 2027 a 2030 opõem aumento de investimentos e arrecadação a cortes de despesas, redução de tributos e maior participação privada.
Em resumo
- Lula propõe ampliar investimentos públicos e arrecadação.
- Flávio defende cortes de gastos e redução de impostos.
- Os planos não detalham integralmente os efeitos fiscais das medidas.
Lula e Flávio Bolsonaro apresentam estratégias distintas para conduzir a economia caso vençam o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro de 2026. Os planos divergem sobre impostos, controle das contas públicas e tamanho do Estado: Lula aposta em investimentos públicos e aumento da arrecadação, enquanto Flávio propõe reduzir despesas e tributos e ampliar o espaço da iniciativa privada.
Impostos e arrecadação
O programa de Lula prevê dar continuidade à reforma tributária sobre o consumo, cobrar mais de contribuintes de alta renda e revisar benefícios fiscais considerados ineficientes. A proposta inclui consolidar o IVA dual, formado pela CBS e pelo IBS, com isenção para a cesta básica e cashback para pessoas de baixa renda. O plano também cita a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a tributação de dividendos acima de R$ 50 mil mensais.
Flávio critica o modelo da reforma tributária aprovada pelo Congresso e propõe rever o sistema e reduzir a alíquota do IVA. Seu programa também prevê diminuir impostos sobre alimentos, combustíveis e energia elétrica, além de desonerar investimentos e exportações. O documento, porém, não apresenta uma estimativa consolidada para o impacto das renúncias nem informa como compensaria eventuais perdas de arrecadação.
Contas públicas e papel do Estado
Lula pretende manter o arcabouço fiscal e combinar o controle das despesas com crescimento econômico e aumento de receitas. O plano prevê investimentos em infraestrutura por meio do Novo PAC, incentivo à indústria e atuação de bancos públicos no financiamento.
Flávio propõe uma nova regra fiscal, superávits primários e a estabilização da relação entre dívida e PIB antes de reduzi-la.
As propostas também combinam redução de gastos com novas despesas.
Avaliações sobre os planos
O economista Bruno Perri afirma que receitas de privatizações não são recorrentes e que faltam detalhes sobre a extensão dos cortes propostos por Flávio. Alexandre Schwartsman avalia que um ajuste duradouro exigiria mudanças em outras despesas obrigatórias. Sobre o plano de Lula, Schwartsman apontou pouca ênfase no controle de gastos. Já Augusto Parente considera que uma nova regra fiscal poderia contribuir para o ajuste, desde que sejam esclarecidos os meios de execução.