Juros futuros fecham sem direção única diante de dúvidas fiscais
Taxas curtas recuaram levemente e contratos longos subiram; agentes avaliam que falta um plano fiscal para sustentar novas quedas.
Em resumo
- Juros curtos recuaram levemente e contratos longos avançaram.
- Agentes apontam dúvidas fiscais como obstáculo a novas quedas.
- Pesquisa eleitoral e medidas fiscais podem influenciar os próximos pregões.
Os juros futuros negociados na B3 fecharam sem direção única nesta quarta-feira, 7 de outubro, em meio à falta de gatilhos para os negócios e às dúvidas de agentes sobre a situação fiscal. As taxas curtas recuaram levemente, enquanto os vencimentos mais longos subiram e devolveram parte da queda acumulada nos dois pregões anteriores, período em que os prêmios haviam diminuído mais de 100 pontos-base.
Taxas curtas recuam; vencimentos longos sobem
No encerramento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 passou de 12,61% no ajuste anterior para 12,605%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 12,46% para 12,435%. Já o contrato para janeiro de 2031 avançou de 12,57% para 12,600%.
Segundo agentes do mercado, ainda não há um plano fiscal que permita projetar uma queda mais acentuada dos juros. O ceticismo, somado ao ajuste já registrado nas taxas, pode dificultar a continuidade da valorização dos títulos. O cenário internacional também pressionava a renda fixa.
Nos Estados Unidos, o retorno dos títulos do Tesouro de dois anos recuava para 4,758%, enquanto o de dez anos permanecia praticamente estável, em 5,291%. O título de 30 anos subia para 5,670%. A alta dos papéis longos perdeu força após um leilão de US$ 39 bilhões em títulos de dez anos, com demanda acima da média. A ata do Federal Reserve indicou a possibilidade de novo aumento dos juros ainda neste ano, mas teve impacto neutro sobre a curva, conforme a avaliação relatada por agentes.
Fiscal e eleição influenciam expectativas
Guilherme Abbud, sócio-fundador e diretor de investimentos da Persevera Asset, afirmou que o cenário local foi o principal fator para os negócios nas últimas semanas. Segundo ele, as expectativas sobre a eleição presidencial ganharam novo impulso após o primeiro turno, mas, passada a reação inicial, investidores não demonstram confiança em um ajuste fiscal forte o suficiente para permitir uma redução maior dos juros.
Abbud disse ter visão diferente da predominante no mercado e avaliou que declarações fiscalistas de um eventual novo governo poderiam reduzir a percepção de risco e dar ao Banco Central mais espaço para cortar a Selic. Para ele, juros menores também reduziriam o custo da dívida. O gestor afirmou ainda que parte das análises mais pessimistas se concentra no resultado primário, estimado em 0,5% do PIB, enquanto o déficit nominal estaria em torno de 10% do PIB.
Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital, disse que um novo rali dependerá do resultado das próximas pesquisas eleitorais e de novidades sobre o pacote fiscal para 2027.