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07 de outubro de 2026

Mundo

Maricarmen Abascal, símbolo da crise habitacional na Espanha, morre

Internada desde o despejo em Madri, ela havia obtido um acordo que permitiria voltar ao apartamento onde viveu por mais de 70 anos.

Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Maricarmen Abascal morreu aos 87 anos após ser despejada em Madri.
  • O despejo mobilizou protestos em várias cidades espanholas.
  • Um acordo previa seu retorno ao imóvel com aluguel semelhante ao anterior.

Maricarmen Abascal, de 87 anos, morreu na quarta-feira (7), depois de permanecer internada desde que foi retirada de seu apartamento em Madri, na Espanha, em 23 de setembro. O Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid confirmou a morte; a causa não foi divulgada. Abascal havia se tornado símbolo dos protestos contra a crise habitacional no país, e um acordo com o proprietário permitiria seu retorno ao imóvel.

Segundo a advogada Beatriz Duro, Abascal morava havia mais de 70 anos no apartamento do bairro de El Retiro. Outra informação sobre a trajetória da idosa é que ela viveu por 71 anos no mesmo endereço. O imóvel foi comprado em 2018 pelo fundo de investimento Urbagestion, que exigiu um reajuste de 275% no aluguel. Abascal, que usava cadeira de rodas, não tinha condições de arcar com o aumento e foi alvo de uma ordem de despejo.

Despejo mobilizou manifestantes

Na manhã de 23 de setembro, apoiadores se reuniram diante do edifício para tentar impedir a remoção. Abascal teve 30 minutos para retirar pertences essenciais e foi levada em uma maca a uma ambulância, que a encaminhou ao Hospital Gregorio Marañón. A advogada afirmou que representantes do fundo e oficiais do tribunal mantiveram a ação apesar de recursos judiciais pendentes, apelos humanitários e de uma oferta de doador anônimo para pagar o aluguel.

O despejo provocou manifestações em diversas cidades espanholas. Em Madri, quase 10 mil pessoas se reuniram na tarde da remoção, segundo autoridades do governo local. Houve também acampamentos na Puerta del Sol e protestos em Barcelona, Sevilha e Valência. Manifestantes pediram mais proteção a inquilinos e restrições a despejos quando não houver outra opção de moradia nas proximidades.

Dias depois, os advogados anunciaram um acordo com o proprietário. Duro afirmou que os termos previam aluguel semelhante ao anterior e um novo contrato de oito anos. A advogada disse que Abascal assinaria o documento quando estivesse melhor, após exames no hospital. O acordo foi alcançado pouco antes da morte.

Crise e eleições antecipadas

O caso ocorreu em meio à pressão sobre o mercado de moradia. Na última década, o aluguel médio na Espanha quase dobrou, e mais de 25% dos inquilinos comprometem cerca de 40% da renda com habitação. A oferta de moradias públicas representa menos de 2% do total, abaixo da média europeia de 8%.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou eleições gerais antecipadas para 29 de novembro, após o Parlamento rejeitar medidas de emergência contra despejos e especulação imobiliária. O ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, lamentou a morte e disse que Abascal se tornou símbolo das dificuldades enfrentadas por famílias, idosos e jovens para conseguir ou manter uma casa.

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