Trump pede juros menores e acusa dirigentes do Fed
No Salão Oval, presidente dos EUA disse que integrantes do banco central querem ver o país ir mal; Scott Bessent citou o choque de energia.
Em resumo
- Trump pediu juros menores e criticou integrantes do conselho do Fed.
- Scott Bessent relacionou a inflação elevada a um choque de energia.
- O Fed elevou os juros e indicou preocupação persistente com a inflação.
Donald Trump voltou a defender juros menores nos Estados Unidos e afirmou que integrantes do conselho do Federal Reserve (Fed) gostariam de ver o país em situação pior. A declaração foi feita na quarta-feira, 7 de outubro de 2026, no Salão Oval, após uma pergunta sobre as taxas de financiamento imobiliário, que seguem elevadas no país.
Trump elogiou Kevin Warsh, presidente do Fed indicado por ele, mas distinguiu o dirigente dos demais integrantes do conselho. “Gostariam de ver o país ir mal, na minha opinião, porque acho que os juros deveriam cair”, afirmou o presidente americano. As taxas de hipotecas costumam ser influenciadas pelo nível dos juros da economia dos Estados Unidos.
Inflação e custo dos financiamentos
Ao lado de Trump, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, atribuiu a inflação elevada a um “choque de energia”. Ele afirmou que, depois do fim do conflito com o Irã, o mercado de energia ficará bem abastecido e os Estados Unidos avançarão em direção à meta de inflação do Fed. Bessent também previu que as taxas de hipoteca e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos voltarão a cair.
Na semana anterior à declaração, a taxa dos financiamentos imobiliários de 30 anos havia atingido o maior patamar em quase três anos.
Fed mantém preocupação com os preços
Em reunião recente sob a presidência de Warsh, o Fed elevou os juros pela primeira vez em mais de três anos, interrompendo uma sequência de cinco reuniões sem mudança. A alta foi influenciada, entre outros fatores, pelo avanço do preço do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica seguia crescendo em ritmo sólido e que os gastos domésticos permaneciam resilientes, apesar da incerteza geopolítica.
O comitê considera, nas decisões, o duplo mandato do banco central: controlar a inflação e promover o máximo emprego. As projeções divulgadas apontaram que a maioria dos integrantes esperava ao menos mais uma alta de 0,25 ponto percentual em 2026.
Warsh disse que a inflação continua alta e que os dados recentes não mostravam melhora significativa nas tendências subjacentes. Em agosto, o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos ficou em 3,4% no acumulado de 12 meses, acima da meta de 2% do Fed. O presidente do banco central afirmou que a decisão de elevar os juros refletiu a avaliação de que o padrão necessário para considerar a inflação claramente em trajetória de queda ainda não havia sido alcançado.