Bolsa brasileira recebe recorde de R$ 10,06 bilhões do exterior
Entrada líquida ocorreu em 5 de outubro, após o primeiro turno; analista alerta que um pregão não confirma tendência de longo prazo.
Em resumo
- Estrangeiros aportaram R$ 10,06 bilhões na Bolsa em 5 de outubro.
- A entrada recorde ocorreu após o primeiro turno presidencial.
- Um único pregão não confirma que o fluxo continuará.
Investidores estrangeiros direcionaram R$ 10,06 bilhões à Bolsa brasileira em um único pregão, na segunda-feira (5), segundo dados de relatórios da B3. O ingresso líquido foi recorde e ocorreu após o primeiro turno da eleição presidencial, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O resultado eleitoral alterou as expectativas dos investidores e coincidiu com forte valorização do mercado. Na mesma sessão, o Ibovespa subiu 7,7%, sua maior alta em mais de seis anos, e encerrou o dia em patamar recorde, segundo os dados relatados. O aporte estrangeiro, porém, não permite concluir, por si só, que haverá uma entrada contínua de recursos no país.
Reação ainda não indica tendência
Felipe Assunção, head comercial da Revert, avaliou que o movimento representa uma reprecificação do risco Brasil: uma mudança na maneira como investidores calculam os riscos e os possíveis retornos de aplicar no país. Para ele, o resultado eleitoral foi o gatilho imediato, mas a velocidade da entrada também mostra que o capital estrangeiro pode reagir rapidamente quando percebe uma relação mais favorável entre risco e retorno.
Assunção ponderou que um fluxo concentrado em um único pregão não comprova uma mudança duradoura na percepção sobre o Brasil. Segundo ele, recursos desse tipo podem entrar e sair rapidamente caso as expectativas não se confirmem. A continuidade do fluxo nas próximas semanas será um dos indicadores a acompanhar.
O analista também apontou que investidores globais comparam as oportunidades brasileiras com as de mercados como Estados Unidos, Europa e outros países emergentes. Além do cenário político, entram nessa avaliação o preço dos ativos, as perspectivas para a economia e os riscos associados a cada mercado.
O que pode sustentar os aportes
Para que a entrada de recursos se mantenha, Assunção afirmou que o Brasil precisa continuar oferecendo ativos com valuation atraente, perspectivas de crescimento e credibilidade fiscal. O termo valuation se refere à avaliação do preço de um ativo diante dos resultados e das perspectivas da empresa. Já a credibilidade fiscal envolve a confiança na gestão das contas públicas e no controle da trajetória da dívida.
O comportamento da Bolsa, do real e dos juros nas próximas semanas será acompanhado para avaliar se o episódio foi uma reação pontual ao primeiro turno ou o início de uma mudança mais persistente. No resultado da eleição, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Temas
Linha do tempo
- Ibovespa chega a 209 mil pontos e dólar cai abaixo de R$ 5
- Ibovespa sobe 7,7% após 1º turno e fecha em recorde histórico
- Dólar cai abaixo de R$ 4,95 e juros futuros recuam após 1º turno
- Dólar fecha a R$ 4,975, menor cotação desde maio
- Bolsa brasileira ganha recomendações, mas depende do ajuste fiscal
- Bolsa brasileira recebe recorde de R$ 10,06 bilhões do exterior (esta matéria)