WWF aponta queda de 95% na vida selvagem da América Latina
Relatório compara populações monitoradas de vertebrados entre 1970 e 2022 e aponta a produção de alimentos como principal causa global da perda de
Em resumo
- Populações monitoradas de vertebrados caíram 95% na América Latina e no Caribe entre 1970 e 2022.
- A produção de alimentos e a agricultura são apontadas como principal causa global da perda de biodiversidade.
- O relatório cita a Moratória da Soja e o Tropical Forest Forever Facility como iniciativas de conservação.
A América Latina e o Caribe tiveram uma queda de 95% nas populações monitoradas de vertebrados entre 1970 e 2022, segundo o relatório Planeta Vivo 2026, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), divulgado em 7 de outubro. O levantamento acompanhou 4.737 populações de 1.405 espécies. Globalmente, a redução foi de 73%, e a produção de alimentos e a agricultura foram apontadas como a principal causa da perda de biodiversidade.
Diferenças entre regiões e espécies
De acordo com o relatório, a América Latina registrou o pior resultado entre as regiões analisadas. Na sequência aparecem África, com queda de 80%; Ásia e Pacífico, com 49%; América do Norte, com 28%; e Europa e Ásia Central, com 23%. Os percentuais se referem às populações monitoradas, e não a uma contagem de todos os animais existentes em cada região.
O documento associa a expansão agrícola permanente à conversão de florestas, campos nativos e áreas úmidas, apontada como o maior vetor de degradação dos ecossistemas terrestres. O sistema global de alimentos também responde por cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa, segundo o relatório.
Os impactos variam entre os grupos. Anfíbios são descritos como os mais afetados pela combinação de mudanças climáticas e doenças. Entre os peixes, o levantamento aponta perdas relacionadas à degradação de habitats e à pesca predatória. Para os répteis, o relatório cita destruição e fragmentação de ecossistemas terrestres e aquáticos, captura e caça.
Iniciativas citadas pelo relatório
A América Latina abriga seis dos sete países megadiversos das Américas, caracterizados pela alta riqueza biológica e pela presença de espécies endêmicas.
O compromisso proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas no bioma Amazônia. Conforme o documento, a conversão direta de floresta para o cultivo de soja caiu de 30% para 2% em uma década.
Outro exemplo citado é o Tropical Forest Forever Facility.