Senado: oposição tenta adiar votação da PEC da escala 6×1
Governo busca aprovar calendário especial antes do segundo turno; campanha de Flávio Bolsonaro orientou senadores a se absterem.
Em resumo
- Oposição tenta levar a votação da PEC para depois do segundo turno.
- Governo busca calendário especial para acelerar a tramitação.
- Campanha de Flávio orientou senadores a se absterem e evitarem críticas públicas.
A oposição tenta adiar para depois do segundo turno a votação da PEC que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1, enquanto o governo busca acelerar a tramitação para concluir a análise antes de 25 de outubro. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) orientou senadores oposicionistas a se absterem em eventual votação e a evitar manifestações públicas contra a proposta, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (8).
Governo quer encurtar o rito
O Senado realizou na quarta-feira (7) a segunda sessão de discussão da PEC. A terceira está prevista para esta quinta, e outras duas devem ocorrer na próxima semana. A expectativa é que o texto seja votado em primeiro turno em 15 de outubro.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reúne assinaturas para apresentar um calendário especial e acelerar a análise. O objetivo é reduzir o intervalo entre os turnos. Pelo regimento, são necessárias cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno e três antes do segundo, além de cinco dias úteis entre as votações. O regimento permite, porém, que esse prazo seja quebrado e que os dois turnos ocorram na mesma sessão.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que colocará o requerimento em pauta quando chegar à Mesa e que caberá ao plenário decidir sobre a aceleração. A base governista pretende protocolar o pedido de calendário especial para tentar votar a PEC já na próxima semana.
Oposição busca postergar a decisão
O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena a campanha de Flávio, defendeu que a votação fique para depois da eleição. Ele afirmou que não considera adequado votar um tema dessa dimensão durante o período eleitoral e criticou o momento escolhido pelo governo. A oposição ainda não definiu uma estratégia comum, mas busca prolongar a tramitação e cobra respeito ao regimento.
A orientação de abstenção atribuída à campanha de Flávio convive com essa indefinição: a direção política teria recomendado que senadores evitem tanto votar a favor ou contra quanto fazer pronunciamentos públicos contrários à PEC. O candidato disse que tem uma alternativa ao fim da escala 6×1. Marinho também manifestou contrariedade ao texto e defendeu uma proposta própria que já tramita no Senado.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) conversou com Alcolumbre na noite de quarta-feira para tentar frear o avanço da pauta, mas não houve acordo. Nas duas primeiras sessões, Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) foi o único senador a se posicionar contra a tramitação, sem se manifestar contra o mérito da proposta.
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Linha do tempo
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