Trump ameaça nova operação contra o Irã; Teerã mira cabos no Golfo
Em meio às negociações para encerrar a guerra, autoridades iranianas dizem que cabos submarinos podem ser atacados se EUA e Israel voltarem a bombardear o país.
Em resumo
- Trump ameaçou nova operação militar se o Irã não negociar.
- Autoridades iranianas dizem que cabos no Golfo podem ser atacados se Teerã for bombardeada novamente.
- Especialistas avaliam que cortes podem afetar serviços digitais, mas o impacto dependerá das rotas alternativas.
Em paralelo, autoridades iranianas afirmaram que cabos de comunicação submarinos no Golfo poderão ser alvos se os Estados Unidos e Israel atacarem novamente o país.
Durante um comício em Fort Myers, na Flórida, Trump disse que Washington poderia lançar outra ofensiva, mas não apresentou detalhes nem indicou quando ela ocorreria. O presidente afirmou que os ataques americanos anteriores destruíram a capacidade iraniana de enriquecer urânio e condicionou uma nova ação à disposição do regime de negociar.
A ameaça ocorre enquanto os dois países mantêm negociações para tentar encerrar o conflito iniciado em fevereiro, após uma ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Antes do comício, Trump disse não saber de planos para um ataque neste sábado (24) ou domingo (25), depois de ser questionado sobre a possibilidade mencionada pelo embaixador americano na Turquia, Tom Barrack.
Teerã ameaça infraestrutura de comunicação
Dois altos funcionários da segurança iraniana disseram que o país preparou planos para atacar cabos submarinos no Golfo caso os Estados Unidos e Israel voltem a atacar Teerã. Eles falaram sob condição de anonimato e não detalharam como ou onde os ataques poderiam ocorrer. Um deles afirmou que o Irã tentaria impedir os reparos para prolongar interrupções nas comunicações, inclusive na internet.
Na quarta-feira (21), Yadollah Javani, vice-chefe de assuntos políticos da Guarda Revolucionária Islâmica, declarou que o Irã poderia atacar sete grandes cabos de internet sob o Estreito de Ormuz se a infraestrutura iraniana fosse atingida. Um dos funcionários também disse que, em caso de ataque, não haveria mais limites para os alvos, incluindo cabos submarinos e bases militares.
A União Internacional de Telecomunicações estima que cabos submarinos transportem cerca de 99% do tráfego global de internet. Ainda assim, Alan Mauldin, diretor de pesquisa da consultoria TeleGeography, afirmou que menos de 1% da largura de banda internacional passa pelo Estreito de Ormuz.
Efeitos e respostas
Os funcionários iranianos não especificaram como seriam os ataques. O Departamento de Estado dos Estados Unidos e o Ministério das Relações Exteriores do Irã não responderam a pedidos de comentário sobre as declarações, e não houve manifestação imediata dos países do Golfo.
O Irã mantém restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, enquanto o governo americano mantém um bloqueio naval contra portos iranianos.
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