Shein e Temu têm calçados com irregularidades químicas
Teste da CEC identificou violações em 36% de 76 pares analisados e falhas em oito de dez modelos de segurança vendidos em plataformas online.
Em resumo
- Teste apontou irregularidades químicas em 36% dos calçados analisados.
- Oito dos dez calçados de segurança testados tiveram falhas técnicas.
- CEC defende responsabilização maior das plataformas e fiscalização reforçada.
Uma investigação da Confederação Europeia da Indústria do Calçado (CEC) identificou irregularidades químicas em 36% de 76 pares de calçados comprados em plataformas de comércio eletrônico, entre elas Shein e Temu. Nos modelos de segurança, oito dos dez analisados apresentaram falhas técnicas, segundo a entidade. Os produtos foram adquiridos em sete países europeus entre fevereiro e maio de 2026 e avaliados por laboratórios credenciados.
Substâncias e falhas identificadas
De acordo com a CEC, os 76 pares foram submetidos a testes relacionados ao REACH, regulamento da União Europeia que restringe o uso de substâncias químicas perigosas. Os resultados indicaram que 36% não cumpriam as regras. Os ftalatos, usados para dar flexibilidade a plásticos, foram a causa mais frequente das irregularidades. Também foram identificados problemas envolvendo formaldeído, metais pesados, níquel e cromo VI.
A entidade informou que os calçados de segurança tiveram falhas em requisitos como resistência ao escorregamento, proteção contra perfurações e integridade das biqueiras. Esses produtos são destinados a proteger os usuários em ambientes de trabalho, e os testes apontaram que oito dos dez modelos avaliados não atenderam à norma europeia ISO.
A CEC também registrou ausência da marcação CE em produtos e falta de documentos que comprovassem a conformidade. A marcação indica que o item atende aos requisitos europeus de segurança, saúde e proteção ambiental.
Cobrança por fiscalização e responsabilidade
A investigação foi realizada por meio de compras feitas sem identificação prévia dos compradores. Além de Shein e Temu, a operação incluiu produtos comercializados pelo AliExpress.
O debate ocorre em meio ao aumento das encomendas internacionais. A instituição vê o crescimento do comércio eletrônico transfronteiriço como um desafio para o controle de mercadorias que chegam ao mercado europeu.