Pesca fantasma: pesquisa monitora redes abandonadas em SC
Levantamento mensal no Sul de Santa Catarina já identificou mais de 100 fragmentos de redes e busca avaliar riscos à fauna marinha.
Em resumo
- Pesquisa mensal já identificou mais de 100 fragmentos de redes no Sul de SC.
- Uma rede encontrada tinha 11 siris e seis peixes presos.
- O estudo busca contribuir para ações de limpeza, prevenção e conscientização.
Uma pesquisa no Sul de Santa Catarina monitora redes de pesca abandonadas para compreender seus efeitos sobre a fauna marinha. Desde abril, a estudante Nicole e o professor orientador Rodrigo Machado percorrem mensalmente um trecho de praia e já identificaram mais de 100 fragmentos de redes, alguns com animais presos.
A chamada pesca fantasma ocorre quando redes, linhas e outros equipamentos perdidos ou deixados no mar ou em rios continuam capturando animais sem a presença de pescadores. Nicole explicou que o fenômeno pode afetar peixes, tartarugas, invertebrados e mamíferos marinhos, como baleias e golfinhos.
Como é feito o levantamento
A dupla percorre um caminho de um quilômetro entre a foz do Rio Mampituba e a barra do Rio Araranguá. Ao encontrar um apetrecho, os pesquisadores registram suas características e verificam se há animais presos. Segundo Nicole, uma das redes encontradas estava inteira e tinha 11 siris e seis peixes.
Redes deixadas na areia podem voltar ao mar durante a ressaca, enquanto as que ficam na água também podem continuar capturando animais. A pesquisa busca documentar a presença desses materiais e os casos em que eles retêm organismos.
O trabalho não mede diretamente o potencial de captura das redes, ressalvou Nicole. A estudante afirmou que os resultados são discutidos em conjunto com registros já documentados de botos presos em redes de pesca semelhantes às encontradas na praia.
Atenção aos botos-de-Lahille
A área estudada também é habitat dos botos-de-Lahille, espécie ameaçada de extinção que voltou a ser avistada na região após 20 anos. A pesquisa é realizada em parceria com o projeto Botos de Araranguá, executado pela Unesc e dedicado a monitorar a presença desses animais.
Segundo Rodrigo Machado, a população de botos vive em Passo de Torres, na divisa com o Rio Grande do Sul, e aparece com maior frequência em outros municípios do Sul catarinense nos meses mais quentes.
Os pesquisadores esperam que o levantamento ajude a embasar políticas de limpeza, prevenção e conscientização ambiental. A expectativa é que os dados contribuam para ações voltadas à presença de equipamentos de pesca abandonados e aos riscos que eles representam para os animais marinhos.