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14 de outubro de 2026

Mundo

ONU alerta para risco de crise alimentar por gargalo em Ormuz

Plano para liberar fertilizantes depende de acordo entre Estados Unidos e Irã; perda da época de plantio pode elevar preços de alimentos.

Organização das Nações Unidas em imagem de arquivo
Imagem de arquivo.
Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • A ONU propõe um mecanismo para organizar o transporte de fertilizantes por Ormuz.
  • A falta de acordo pode comprometer a época de plantio e elevar preços de alimentos.
  • O plano prevê coordenação em Omã e a passagem de até cinco navios por dia.

A falta de um acordo entre Estados Unidos e Irã para liberar o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz pode comprometer a época de plantio e agravar os preços dos alimentos, alertou nesta quarta-feira, 14 de outubro, o subsecretário-geral da ONU Jorge Moreira da Silva. Segundo ele, uma força-tarefa das Nações Unidas propôs um mecanismo para organizar a passagem segura de cargas, mas a operação ainda não foi implementada.

Moreira da Silva afirmou que o plano poderia começar a funcionar entre sete e dez dias após um entendimento entre Washington e Teerã. Ele defendeu que as partes cheguem a um acordo nas próximas semanas para evitar a perda da janela de plantio. A preocupação é que a interrupção do fluxo de insumos reduza a produtividade agrícola e amplie a pressão sobre os preços.

Gargalo ameaça oferta de insumos

Antes do conflito, cerca de um terço da ureia comercializada no mundo — fertilizante amplamente utilizado — passava pelo Estreito de Ormuz. A rota também concentrava quase metade do enxofre transportado por via marítima, matéria-prima importante para a produção de fertilizantes.

Os embarques de fertilizantes da região do Golfo continuavam praticamente paralisados mais de seis meses após o início do conflito, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar. Durante um cessar-fogo entre meados de junho e meados de julho, esses produtos representaram uma parcela muito pequena da retomada de embarques, informou o instituto.

Um relatório de agosto da Câmara de Comércio Internacional estimou que, se a interrupção persistir, os preços poderiam subir até 81% para cereais, 66% para oleaginosas e 30% para produtos de origem animal. As projeções dependem da continuidade do bloqueio e não representam aumentos já registrados.

Proposta prevê cinco navios por dia

O mecanismo da ONU prevê um centro de coordenação em Omã para registrar embarcações e organizar a passagem. Monitores das Nações Unidas trabalhariam com autoridades locais nos portos do Golfo para verificar as cargas. A proposta também prevê rastreamento dos navios durante o trajeto e inspeções adicionais caso algum país apresente preocupação com uma embarcação ou carga.

A passagem de cinco navios por dia poderia, segundo Moreira da Silva, manter o abastecimento de fertilizantes para países em situação de necessidade crítica.

Os esforços para reabrir a rota permaneciam paralisados.

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