Israel inicia demolições em Hebron após ataque que matou soldados
A operação começou na Cisjordânia após tiros que mataram dois militares e feriram outros três; moradores receberam ordem para deixar a área.
Em resumo
- Dois soldados morreram e outros três ficaram levemente feridos no ataque a tiros.
- Israel iniciou demolições e a retirada de moradores em Farsh al-Hawa, Hebron.
- Netanyahu anunciou medidas de segurança e as FDI mantiveram buscas por suspeitos.
Israel iniciou nesta sexta-feira, 23 de outubro, demolições em um bairro de Hebron, na Cisjordânia ocupada, horas depois de um ataque a tiros que matou dois soldados e deixou outros três levemente feridos. As forças israelenses também começaram a retirar moradores da região de Farsh al-Hawa, segundo informações das Forças de Defesa de Israel (FDI).
Demolições e retirada de moradores
O ataque ocorreu em um posto de controle militar. De acordo com as FDI, dois homens armados palestinos abriram fogo contra os militares. Os dois atiradores foram baleados e mortos na sexta-feira, enquanto as forças de segurança continuaram as buscas por outras pessoas que possam ter ligação com o caso.
As demolições começaram à tarde. Em um vídeo do local, um soldado israelense dá cinco minutos para que moradores de um conjunto habitacional deixem a área. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as forças entrariam nas casas, retirariam armas encontradas e destruiriam o que descreveu como infraestrutura terrorista.
Netanyahu disse que a área seria transformada por meio de uma operação semelhante à realizada no início de 2025 em campos de refugiados de Jenin, Tulkarm, Nur Shams e Al-Far’a. A estratégia anterior levou ao deslocamento de milhares de palestinos e à evacuação de bairros inteiros, segundo o relato da operação.
Medidas de segurança e investigação
Após o ataque, as FDI anunciaram um “cerco total” a Hebron. Netanyahu declarou ter ordenado o fechamento completo da Cisjordânia a partir de sexta-feira. Horas depois, porém, o premiê indicou uma medida mais restrita: um cordão em torno de Hebron e Halhul, que poderia ser ampliado para outras áreas.
As FDI informaram que encontraram um veículo usado pelos atiradores, com uma grande quantidade de munição. O chefe do Estado-Maior das forças israelenses, Eyal Zamir, classificou o episódio como um ataque grave e afirmou que a munição poderia ser usada em uma ofensiva de maior escala. Zamir também anunciou novas prisões de suspeitos e o reforço das operações de inteligência na região.
Netanyahu afirmou que Israel perseguiria integrantes do grupo e aqueles que os enviaram.
O ataque aconteceu quatro dias antes das eleições em Israel, as primeiras desde a ofensiva liderada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Netanyahu vinha buscando se apresentar como um líder firme em questões de segurança.