Israel suspende entrada de mercadorias comerciais em Gaza
COGAT atribui interrupção a disputa sobre taxa cobrada pelo Hamas; UNICEF alerta para possíveis efeitos sobre crianças e famílias.
Em resumo
- Israel suspendeu a entrada de mercadorias comerciais em Gaza.
- Comerciantes apontaram taxa por caminhão e exigência de pagamentos em dinheiro.
- UNICEF alertou que interrupções podem afetar crianças e famílias.
Israel suspendeu a entrada de mercadorias comerciais na Faixa de Gaza após comerciantes palestinos interromperem a coordenação com autoridades israelenses, em meio a uma disputa sobre uma taxa cobrada pelo Hamas. O COGAT, órgão militar israelense responsável por assuntos civis e humanitários no território, anunciou a medida em comunicado divulgado na quarta-feira, 14 de outubro. A interrupção afeta uma fonte de alimentos e outros produtos em uma região onde a maioria da população depende de ajuda humanitária.
Disputa sobre a cobrança
Segundo o COGAT, comerciantes disseram que deixaram de coordenar a entrada de mercadorias em resposta à cobrança de 10 mil shekels por caminhão que entra em Gaza — cerca de US$ 3.220. Eles também apontaram uma exigência para que 30% das vendas no território fossem feitas em dinheiro.
O Hamas apresentou outra explicação para a cobrança. Também disse que incentiva pagamentos em dinheiro devido à grave escassez de moeda no território.
A suspensão anunciada pelo COGAT diz respeito às mercadorias comerciais. O comunicado atribuiu a interrupção à decisão dos comerciantes de parar a coordenação com Israel; a justificativa relatada por eles foi a cobrança e a exigência sobre pagamentos. O Hamas, por sua vez, descreveu a taxa como contribuição voluntária.
Alerta sobre abastecimento
A interrupção ocorre em um território cuja população enfrenta os efeitos de três anos de guerra, deslocamentos repetidos e restrições à entrada de suprimentos. Cerca de 2 milhões de pessoas vivem em Gaza, a maioria em abrigos improvisados, de acordo com os dados divulgados.
O UNICEF afirmou que os avanços no combate à desnutrição continuam frágeis e podem ser prejudicados por interrupções no abastecimento. A agência da ONU pediu que todos os pontos de passagem permaneçam abertos. Em Genebra, o porta-voz Ricardo Pires defendeu que o fluxo de suprimentos comerciais e humanitários seja previsível e contínuo, e alertou que crianças podem sentir os efeitos se a situação não for resolvida.
O UNICEF também informou que cerca de 800 mil crianças continuam deslocadas. Segundo a agência, a maioria vive em barracas ou edifícios inseguros com a aproximação do inverno, e melhores abrigos e serviços básicos são necessários para apoiar a recuperação.