Petróleo cai mais de 7% com expectativa de negociações entre EUA e Irã
Brent recuou 8,15% e WTI, 7,76%, em meio a conversas mediadas pelo Catar para buscar o fim do conflito.
Em resumo
- Brent e WTI caíram mais de 7% nesta segunda-feira.
- Conversas mediadas pelo Catar elevaram as expectativas de um acordo.
- O Goldman Sachs ainda vê riscos de alta para o petróleo.
Os preços do petróleo caíram mais de 7% nesta segunda-feira (2), enquanto conversas entre autoridades iranianas e mediadores do Catar alimentaram expectativas de avanços diplomáticos para encerrar a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A possibilidade de estabilização do abastecimento no Oriente Médio também pressionou as cotações.
Cotações recuam durante a tarde
Por volta das 15h05, no horário de Brasília, os contratos futuros do Brent caíam US$ 9,25, ou 8,15%, para US$ 104,18 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, recuava US$ 8,08, ou 7,76%, para US$ 96,04.
Em outra leitura, às 15h40, o contrato do Brent para janeiro era negociado a US$ 104,09, com baixa de 8,23%. O WTI para dezembro recuava 7,92%, a US$ 95,87. As cotações correspondem a horários e contratos diferentes.
Os negociadores iranianos mantiveram conversas durante vários dias com mediadores do Catar. Uma autoridade a par das tratativas afirmou que circulava um rascunho de proposta e que poderia ocorrer uma reunião de acompanhamento.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, concedeu ao governo atribuições relacionadas às negociações de paz. Pezeshkian afirmou que Teerã tentaria resolver a questão pelo diálogo, sem detalhar os termos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou no domingo que as consultas com os mediadores do Catar estavam em andamento e avançavam. Ele também disse que o país estava preparado para a defesa e para a diplomacia.
Riscos de oferta continuam no radar
O movimento de baixa ocorre após o Brent terminar outubro no maior nível em seis meses, diante de preocupações com uma possível intensificação do conflito. O analista Pavel Molchanov, da Raymond James, avaliou que os sinais de progresso nas negociações pressionaram os preços, mas observou que o ceticismo permanece após episódios anteriores de expectativa frustrada. Giovanni Staunovo, do UBS, afirmou que o mercado segue reagindo com sensibilidade às notícias do Oriente Médio.
As conversas ocorrem depois de um aumento recente nos ataques a petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, disse que Teerã tem um plano de dois dias para reabrir o estreito e retomar negociações nucleares com os Estados Unidos, caso Washington aceite suas exigências. O presidente Donald Trump afirmou que o Irã não pode ter armas nucleares; o secretário de Estado Marco Rubio disse que Trump prefere uma solução diplomática.
Apesar da queda, o Goldman Sachs elevou suas projeções devido aos riscos de abastecimento. O banco afirmou que o Brent poderia chegar a US$ 140 em 2027 se a produção do Golfo permanecesse 3,5 milhões de barris por dia abaixo da média de 2025.