Gabrielli defende ajuste fiscal progressivo sem austeridade
Coordenador do programa de Lula propõe revisar privilégios e gastos, sem cortar benefícios sociais, e apoia debate sobre juros e dívida pública.
Em resumo
- Gabrielli propõe ajuste progressivo, sem austeridade contra os eleitores.
- O economista apoia debate sobre metas conjuntas para juros e política fiscal.
- Ele defende revisar privilégios sem reduzir benefícios sociais e pisos de saúde e educação.
José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu em artigo enviado à imprensa nesta segunda-feira (2) um ajuste progressivo das despesas e receitas, sem austeridade contra os eleitores. O economista argumentou que elevar o superávit primário, por si só, não seria o caminho adequado para reduzir os juros e afirmou não ver motivo para pânico com a dívida pública.
Proposta sobre juros e dívida
No documento de 11 páginas, Gabrielli apoiou a discussão de uma proposta apresentada pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. A ideia prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para definir metas integradas de política fiscal e monetária por um período de quatro a cinco anos.
Lara Resende propôs reduzir a taxa Selic gradualmente, inicialmente para cerca de 7,5% ao ano em aproximadamente 12 meses, e depois mantê-la numa faixa entre 3% e 5,5%. Gabrielli afirmou que os juros elevados são a principal causa do crescimento da dívida e defendeu que a proposta receba atenção especial. A medida mudaria o modelo atual, no qual o Banco Central define a Selic sem uma faixa estabelecida.
O coordenador também sustentou que não há correlação forte, nas últimas décadas, entre o resultado primário e a trajetória dos juros no Brasil. Segundo ele, o país não enfrenta motivo para alarme porque a dívida líquida está em 69,3% do Produto Interno Bruto (PIB), 90% da dívida está denominada em moeda nacional e o país tem reservas cambiais elevadas.
Gastos e políticas sociais
O artigo foi divulgado em meio à discussão sobre a política econômica de um eventual quarto mandato de Lula. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não discute tabelar os juros.